A Polícia Militar de São Paulo resolveu inovar este ano e passou a dar orientação especial aos policiais do Estado sobre como atender a pessoa com deficiência. A instrução chegou ao 15º Batalhão de Franca em julho deste ano em forma de dicas compiladas em uma cartilha. Ao todo, 749 homens e mulheres, que trabalham nas ruas e também na administração, passaram a carregar o livreto.
Em suas 33 páginas, o material ilustrado possui orientações para todos os tipos de deficiência - física, visual, auditiva, intelectual ou múltipla. As dicas devem auxiliar o policial a agir e atender o deficiente em situações corriqueiras do dia a dia. A cartilha conta ainda com fotos para facilitar o entendimento. Exemplifica os casos que ocorrem com mais frequência, como os procedimentos que devem ser feitos para ajudar um cadeirante a subir uma escada de forma segura ou para abordar um suspeito com problemas de audição.
Segundo o capitão João Henrique Alfredo, chefe de Comunicação Social do batalhão de Franca, a cartilha foi lançada com o objetivo de atender melhor o cidadão especial. “A ideia é fazer com que os militares saibam como proceder no atendimento de ocorrências com o deficiente, seja ele físico, auditivo ou até mesmo visual. É importante ter um material de apoio assim, porque já houve casos de o policial se deparar com situações nas quais não sabia qual era a melhor forma de agir. Com a cartilha, o PM fica preparado. Ele vai respeitar as condições do especial.”
A cartilha também orienta sobre como se comunicar de forma adequada como, por exemplo, com uma pessoa com deficiência auditiva. O material mostra alguns sinais utilizados pelos surdos e ainda o alfabeto completo e os números na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). O mesmo acontece com o Braille, para atender a deficientes visuais
Para o presidente da Adef (Associação de Deficientes Físicos) José Carlos Gomes, a iniciativa da polícia vai ajudar não só os militares, mas também a comunidade, que muitas vezes não sabe como agir com uma pessoa especial. “Fico feliz que a PM tenha esse material em mãos. Agora eles estão preparados para lidar tanto com o cadeirante quanto com o portador de deficiência visual e auditiva. Essa atitude vai fazer a diferença sim. E vai também servir de exemplo à comunidade sobre como melhorar o tratamento do especial”, disse o presidente, que é cadeirante há quatro anos.
COMO SURGIU
A ideia de elaborar a cartilha surgiu de uma tese de mestrado do curso do Centro de Altos Estudos de Segurança (CAES), na capital em 2010. Segundo a corporação, o estudo apontou a necessidade de a PM participar mais efetivamente junto a grupos mais vulneráveis, com informações, dicas e orientações.
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