08 de julho de 2026

Dia do Estudante


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O que era para ser uma manhã de festa e alegria se transformou em uma baderna. Adolescentes dispensaram as orientações que estavam previstas e as mínimas noções de civilidade. Em troca, deram péssimas lições de vandalismo. Com abuso e ousadia, mostraram o lado preocupante de nossa juventude. Não deram importância nem para o esforço dos organizadores do evento e nem aos direitos da população. A praça, lugar público por excelência, foi por eles dominada, gerando constrangimentos às pessoas que por ali passavam.

Como consequência, saíram os orientadores e entraram os policiais. O que era para ser uma notícia da área educacional confundiu-se rapidamente com as manchetes policiais.

É triste, mas não podemos nos recusar à realidade. Essa confusão, infelizmente, não tem nada de pontual. Nos últimos tempos, vem se repetindo até com certa frequência, como mostram várias reportagens publicadas pelo Comércio nos últimos meses.

Como agora invadiu as ruas, talvez repercuta de forma mais veemente, forçando nossas autoridades, bem como toda a sociedade civil, a refletirem um pouco mais sobre esses problemas.

Nesse sentido, talvez seja interessante considerá-los sob dois aspectos que, apesar de interligados, podem ser pensados separadamente. O primeiro, formativo e educacional, ligado à prevenção. O segundo, legal e punitivo, ligado aos direitos e deveres da convivência em sociedade.

Em relação ao primeiro, é preciso considerar os limites da escola. Para além dos problemas da falta de investimento no professor, dos ambientes arquitetonicamente feios e mal arranjados, com estruturas e equipamentos desgastados, muito diferentes dos grupos escolares de antigamente, há ainda os desafios tecnológicos. Em um mundo cada vez mais influenciado pelas tecnologias de comunicação, em que a liberdade de expressão e a facilidade de acesso ao conhecimento forçam a quebra de antigos paradigmas, a escola ainda se prende a modelos de ensino ultrapassados e pouco atrativos para os jovens de hoje.

Dentro desse contexto, a escola se torna um ambiente chato. Desmotiva o aluno, o faz perder o interesse pelos assuntos ali tratados e prejudica a eficiência do processo educacional.

Em relação ao segundo aspecto, é preciso considerar que esses alunos flagrados na baderna não refletem de forma alguma a atitude da maioria de nossos estudantes. Se considerarmos o total de estudantes do ensino médio francano, os 800 que passaram pela praça significam uma parcela bem pequena.

O problema, então, passa a ser normativo. Nesse sentido, há que se punir os infratores. Se menores, que se atue junto às famílias ou que se busque, de alguma forma, corrigir esses desvios de comportamento.

Mas que fique o aviso. Se não melhorarmos as escolas e não atuarmos com mais rigor para coibir esses atos, poderemos nos deparar com eles de forma mais regular daqui para frente.