Imaginar que alguém possa levantar cedo, tomar o café com a família e sair para comprar um túmulo parece ser um programa pouco provável. Se este túmulo custa perto de R$ 20 mil e você não está precisando, a probabilidade tende a ser menor ainda, certo? Errado. Na quinta-feira, a Prefeitura começou a vender as sepulturas abandonadas no Cemitério da Saudade. São apenas 14 terrenos. Em apenas três dias, cerca de 150 pessoas manifestaram interesse de participar do leilão. Na fila de espera, estão empresários, dono de universidade e o próprio prefeito. Já há projeto de construção de um mausoléu. Uma família se inte-ressou por três sepulturas. Devido ao sucesso do empreendimento, a administração colocará um novo pacote de lotes à venda ainda esta semana. Pelo visto, interessados em garantir um bom lugar para o descanso eterno não faltam.
Na primeira etapa, serão leiloados 14 lotes localizados nas quadras um e dois, que ficam na alameda principal. Por ser considerada uma área nobre, o lance mínimo será de R$ 19,3 mil. Propostas devem ser apresentadas na administração do cemitério até o dia 25 de setembro. O edital com as regras para participar do certame foi publicado dia 11.
No mesmo dia, ao verem a notícia estampada nas páginas do Comércio, dezenas de pessoas foram ao cemitério escolher o lote mais apropriado. Os localizados debaixo de árvores foram os que mais chamaram a atenção dos futuros comprados. Um dos primeiros a chegar foi o chanceler da Unifran (Universidade de Franca), Clóvis Ludovice. Ele gostou de um espaço vago logo na entrada. A ideia dele, segundo a Prefeitura, é construir um mausoléu no local.
O empresário Tamer Hajel, da Francajel, gostou de um lote no cruzamento principal das alamedas. É o mesmo que o prefeito escolheu, disse uma funcionária do cemitério. Tamer continuou pesquisando e encontrou alguns outros que lhe agradaram. Anotou os números das sepulturas em um caderninho e ficou de voltar depois para apresentar as propostas. A família dele pretende adquirir dois. “Muitas pessoas queriam comprar lotes aqui para ter um lugar para as suas famílias, mas não havia vagas. Agora, com a revitalização, será possível. Vamos participar da licitação e tentar oferecer o melhor preço”. Tamer elogiou a iniciativa da administração em dar nova destinação aos lotes abandonados e disse que o exemplo deveria ser seguido por outras cidades.
Responsável pelo projeto de retomada e venda das sepulturas sem dono, o secretário municipal de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, ficou surpreso com o interesse e a determinação das pessoas em comprar o túmulo no local de sua preferência. Como as expectativas foram superadas, um novo pacote de lotes será colocado à venda. Até o fim da semana, será publicado edital abrindo prazo para o leilão de mais 40 túmulos. “Cada pessoa física pode adquirir apenas um lote, mas nada impede que a família possa comprar terrenos próximos. Se mais de um interessado escolher o mesmo espaço, vencerá a licitação quem oferecer o maior lance”.