Historicamente Pedregulho é conhecida como a cidade café. O título é justo. Dos dez municípios produtores de café na região, a cidade é a maior em área plantada, produção e empregos. São pelo menos 10,8 mil hectares com pés de café; colheita anual de mais de 210 mil sacas - em ano de safra cheia -; 1,2 mil empregos fixos e outros três mil durante a safra. Para se ter uma ideia, a segunda cidade com maior produção é Franca, com colheita de 190 mil sacas.
Ao completar 114 anos nesta segunda-feira, 15 de agosto, os números do setor cafeeiro, por si, poderiam ser motivo de comemoração. Mas, nos últimos onze anos, a economia de Pedregulho ganhou outro importante aliado: o calçado. O município se consolidou como segundo maior produtor de sapatos na região. Só perde para Franca. “Podemos dizer que Pedregulho é uma cidade movida pelo café e indústria de calçado”, disse o prefeito Dirceu Pólo.
Atualmente, 18 empresas estão instaladas em Pedregulho. Juntas, geram cerca de 1,5 mil postos de trabalho. A produção na cidade se concentra apenas na confecção do cabedal do calçado. Isso significa que apenas a colagem e pesponto são feitos pelas indústrias. Essa etapa é suficiente para gerar empregos no município que hoje tem 15,7 mil habitantes.
Há 5 anos, quando se instalou na cidade, a Calçados Rafarillo empregava 22 funcionários. Hoje são 94 e uma produção média de 700 pares/dia. “Quando abrimos a fábrica, muitos nem tinham ideia de como se fazia um sapato. Aprenderam com a gente e com o auxílio da prefeitura que oferece cursos”, disse a auxiliar-administrativa, Lázara Tereza Gonçalves.
TRABALHO
Alisson Rodrigues Malta, 17, viu na indústria calçadista uma maneira de conseguir seu primeiro emprego. Começou furando o sapato da Rafarillo, passou pelo cursinho da prefeitura e, hoje, está pespontando. “É uma oportunidade muito boa para quem é jovem”, disse.
Luís Fernando da Silva, 21, aproveitou a oferta de trabalho na indústria para deixar o serviço rural. Ele trabalha como aparador na empresa Bradock, mas já está fazendo o cursinho gratuito para ser pespontador. “Faz nove meses que estou aqui. Antes trabalhava de ajudante em fazenda, colhendo café. Acho muito bom porque o salário é bem melhor.”
A empresa em que Fernando trabalha instalou-se na cidade há nove anos, com seis funcionários. O quadro atual é de 48 e com produção diária de 326 pares.
Segundo Fabrício Ferreira, professor de pesponto, uma das empregadoras da cidade tem 350 sapateiros e as menores têm plano de crescimento, já que muitas ocupam espaçosos galpões.