08 de julho de 2026

Águas turbulentas


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O programa Brasil Maior já foi repercutido pela mídia local e nacional.

Seu objetivo todos conhecem. De forma geral, foram tomadas várias medidas para proteger o mercado interno e, de quebra, a indústria nacional.

Para a indústria de calçados, é possível dizer que o programa vem ao encontro de antigas reivindicações. Mesmo que seja temporário e experimental, pode dar algum fôlego a esses empresários, ajudando-os a recuperar as possíveis perdas e a repensar seu próprio negócio.

O mais interessante, por enquanto, é analisar a repercussão do programa.

O governo, é claro, declarou amor eterno à indústria nacional. Durante o lançamento do programa o ministro Guido Mantega disse que ‘o mercado brasileiro deve ser usufruído pela indústria brasileira e não por aventureiros’. Belas palavras, mas ‘marketeiras’ em excesso. Nos dias de hoje, é impossível pensar em uma espécie de Doutrina Monroe para as empresas brasileiras. Se nem mesmo as Américas são mais dos ‘americanos’, que dirá um Brasil apenas para os brasileiros? Mesmo que não sejamos mais um país de economia periférica, como no grosso de nossa história, estamos presos à economia internacional. Precisamos remar com ela, não contra.

A Abicalçados classificou as medidas como positivas, elogiando a ação do governo. De acordo com seu presidente, Milton Cardoso, essas medidas poderão gerar uma economia acima de 40% na produção de calçados, um número que, se confirmado, não é nada desprezível.

Já os calçadistas francanos foram mais cautelosos. Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, é necessário aguardar um pouco mais para emitir qualquer opinião. Para ele é preciso detalhar melhor o pacote e ver na prática como será executado.

Esse posicionamento, apesar de legítimo, é um pouco evasivo. Essas reivindicações agora atendidas já são feitas há muito tempo. Mesmo que não venha na medida esperada, deveria ser recebida com bastante entusiasmo, sobretudo se considerarmos o cenário sombrio desenhado por nossos empresários.

Nesse momento, continuar encontrando motivos para reclamação e novos pedidos, sem ao menos reconhecer o empenho do governo federal é, no mínimo, demonstração de comodismo. De certo modo, deixa transparecer que nossa indústria está despreparada para enfrentar os desafios que ainda virão, esperando apenas pelas dádivas governamentais.

Mas, o ponto alto dessas ponderações foi dado por um empresário francano, como mostra matéria publicada na quarta-feira, 03/08, por este Comércio.

Segundo ele, as medidas são importantes, mas paliativas. Dentro desse raciocínio, afirma que não pode mais viver com as incertezas de mercado.

Bem... aí fica difícil. Incertezas são a única certeza do ambiente de negócios atual. Para navegar nesse oceano de águas turbulentas, ou se toma os remos nas mãos e se enfrenta as ondas de forma decidida, ou se encosta o barco.

Sombra e água fresca, só no Senado... ou no Maranhão.