A terceira troca da diretoria da Escola Estadual “Caetano Petráglia” em menos de um ano causou revolta entre os pais dos alunos. A unidade foi comandada por mais de 30 anos pela diretora Dora Bordignon, que aposentou-se em abril. Desde então, duas profissionais já dirigiram a escola e, agora, a Secretaria Estadual de Educação promete nomear uma nova pessoa nos próximos dias. Para os pais, as mudanças frequentes atrapalham o desempenho dos alunos. Informados de mais uma troca na última segunda-feira, eles pedem para que a diretora fique no cargo até o fim do ano letivo ou então que seja nomeado um diretor efetivo para não prejudicar os alunos
Antes da aposentadoria de Dora Bordignon, ela afastou-se por licença e Maria Aparecida Alves Pereira, conhecida como dona Cidinha, assumiu o posto. Com a aposentadoria, Adriana Aimola Ronca foi nomeada como diretora substituta temporariamente. Com o término do seu contrato, a vice-diretora, identificada apenas como Kely, assumiu a diretoria.
Ontem, a reportagem foi até a porta da escola nos dois horários de saída dos alunos, às 11h30 e às 17 horas, e conversou com alguns pais. A maioria ouvida pelo Comércio afirma que os estudantes são os mais prejudicados com a interrupção do trabalho de Adriana e que a qualidade do ensino da escola vem caindo a cada mudança. “O diretor é o gestor que motiva a equipe de professores e consequentemente os estudantes. É uma injustiça com os alunos”, disse uma mãe que não quis se identificar.
A advogada Danúzia Carvalho, mãe de um aluno, disse que na reunião da última segunda-feira os pais foram surpreendidos com a notícia de que Adriana estava afastada do cargo desde o dia 2 de agosto. “O que os pais gostariam, inclusive foi passada uma lista para todos assinarem, é de que a dona Adriana volte à escola para concluir o trabalho que começou, já que ela ficou por um período muito curto, aproximadamente quatro meses, e a saída dela prejudicará os alunos”, ressalta a advogada, que disse ter sido convidada pela vice-diretora a participar de uma comissão de pais para buscar uma solução para a escola. “O ‘Caetano Petráglia não pode ficar sem direção e a gente quer um resultado final positivo em prol das crianças”, finaliza Danúzia.
O administrador de empresa Marcelo de Alencar Simei, pai de Thiago, 9, e Maria Eduarda, 7, do 4º e 2º ano respectivamente, lembra que os problemas com a escola foram desencadeados em 2010. “Já começou com a história ruim do ano passado querendo fechar a escola com a saída da Dora, aí fez essa mudança que não foi fácil para os alunos e agora no meio do caminho querem mudar novamente. Todo ano é a mesma história e o trabalho fica sem uma sequência. Isso é o mal das escolas públicas em geral”, comentou.
Marcelo ressalta que não deu tempo de avaliar a nova diretora. “O trabalho que ela implantou ia começar a surtir efeito agora. Até a outra diretora se adaptar e começar a trabalhar vai prejudicar os alunos que já estarão entrando em férias novamente”, avalia.
Várias mães, líderes do movimento Caetano para Sempre, preferiram não se identificar, mas afirmam que torcem para que Marcos Amaral, atual diretor da E.E “José dos Reis Miranda Filho” assuma a “Caetano”.
TRADIÇÃO AMEAÇADA
A escola “Caetano Petráglia” é uma das mais tradicionais da cidade. Fundada em 1947, nos últimos anos tem se destacado em avaliações como o Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo). A escola tem mais de 20 salas, do 2º ao 5º ano do ensino fundamental e cerca de 700 alunos entre seis e 11 anos.
Não é a primeira vez que a “Caetano Petráglia” é envolvida em polêmica. Em outubro do ano passado, funcionários pararam de receber matrículas para o 2º ano do ensino fundamental afirmando que a escola iria fechar as portas em 2012.
Em novembro, a dirigente regional de Ensino, Ivani de Lourdes Marchesi de Oliveira, anunciou que sete escolas iriam deixar de funcionar no final de 2013 e a “Caetano Petráglia” era uma delas. Na época, a informação foi confirmada durante encontro com pais de alunos da escola que se organizaram e fizeram abaixo-assinado para reverter a decisão.
Um mês depois a Secretaria Estadual de Educação voltou atrás e determinou a reabertura de novas matrículas na rede estadual que até então, desde novembro, haviam sido fechadas.