08 de julho de 2026

A beleza da batalha


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A princesa Floripes, interpretada por Laís Nascimento Leite, no batismo do sultão

Centenas de famílias de Franca e região escolheram para a tarde do último domingo um programa diferente no Parque de Exposições “Fernando Costa”. As tradicionais Cavalhadas da Franca reuniram mais de 2 mil pessoas no segundo dia do espetáculo, que relembra a luta entre cristãos e mouros no século VIII.

A encenação que empolgou as crianças e deixou vários adultos emocionados começou por volta das 14h30. Os cavaleiros - vestidos com roupas medievais azuis (cristãos) e vermelhas (mouros) - entraram na arena principal do parque para dar início aos confrontos. Por conta de uma determinação judicial, o uso de garruchas com tiro de festim foi proibido este ano. No lugar das armas de fogo, um som simulava os tiros. Lanças e espadas continuaram sendo usadas nas encenações de batalhas.

Pela primeira vez, a artesã Dirce Aguiar, 77, estava acompanhando o espetáculo junto de sua filha, a secretária Rosemari Aguiar Vasconcelos, 38. Moradora em São Paulo, Dirce veio a Franca visitar a filha e os dois netos. “Minha filha havia me dito que era lindo, mas me surpreendi. Não conhecia a história e achei magnífica essa tentativa de preservação cultural. Os figurinos são bem confeccionados, parece até filme”, disse.

Ainda na primeira parte da atração, durante o roubo da princesa Floripes (moura), um susto. Um jovem de 14 anos, que representava um dos soldados cristãos, teve de ser substituído após o cavalo que montava se desequilibrar e cair sobre a sua perna esquerda. O adolescente foi levado à ambulância consciente e com suspeita de ter fraturado o pé.

Passado o incidente, durante intervalo, houve a apresentação de 16 jovens com a Dança dos Velhos. Na segunda parte das Cavalhadas, o momento mais esperado era a prisão dos mouros, quando o sultão de Constantinopla e seus soldados, após a luta em frente ao castelo, fogem para o campo. O castelo fica à mercê dos cristãos que, depois de conquistá-lo, ateiam fogo em sinal de vitória.

O líder cristão, Carlos Magno, e seus soldados vão ao encontro dos mouros, no centro do campo, intimando o sultão a aceitar o batismo ou a morte. O sultão não aceita. Nessa hora, a princesa moura, já convertida ao cristianismo, suplica ao pai a sua conversão. Ele aceita. Então, acontece o batismo do líder mouro e a princesa sela a paz retirando as armas dos soldados mouros e as entregando aos cristãos.

O espetáculo termina com uma demonstração de habilidades dos cavaleiros, o denominado “torneio de cabecinhas e argolinhas”. Foram três horas de Cavalhadas, que encantaram o público.