Franca está sendo palco neste fim de semana de uma batalha medieval. Mouros e cristãos se enfrentaram na noite de ontem no Parque “Fernando Costa” e voltam a duelar neste domingo, a partir das 14 horas, no mesmo local. A guerra conta com quase 30 soldados-atores, que se vestem como na época do imperador Carlos Magno, no século VIII d.C., para retratar parte de uma história real.
Um diálogo entre os mantenas (representantes dos reis mouro e cristão) dá início ao teatro campestre. “Submissão ou guerra”, desafia o representante mouro. “Prefiro a guerra. Prefiro ver minha bandeira retalhada nos campos de batalha e ensopada no sangue dos meus soldados do que vê-la arriada, sem honra, nas torres do meu castelo”, responde o cristão.
Com o fim do diálogo, cada um em cima de um cavalo, começa a batalha. De um lado os mouros, de vermelho, e do outro os cristãos, de azul. Cada um com seu rei, seu príncipe e sua princesa. Com roupas como as da época e lamparinas, os atores tentam resgatar parte da tradição das cavalhadas. A música instrumental e a escuridão parcial ajudam a retratar o clima hostil de guerra.
Segundo Fernando Palermo, um dos organizadores da festa, atas disponíveis no Museu Municipal e datadas de 1831 comprovam que a encenação já era feita na cidade no século XIX. “O que fazemos aqui é muito mais do que lembrar a história, é passar adiante um costume da cidade.”
O resgate folclórico é outra preocupação das Cavalhadas. Antes do início da Cerimônia dos Encamisados, ontem, um grupo apresentou a Dança dos Velhos, com a participação de 16 jovens. Neste domingo, a partir das duas da tarde, haverá as corridas de campo e o torneio de cabecinhas e argolas -hoje recreação entre cavaleiros, mas que representa a disputa medieval.
As batalhas eram travadas antigamente com o uso de lanças, espadas e armas de fogo, porém, quem for assistir às apresentações não vai ver a representação correta da guerra entre mouros e cristãos. A Justiça em Franca não liberou o uso de garruchas com tiro de festim, ao contrário do que aconteceu em 2010.
Participando pela primeira vez da encenação, Guilherme Oliveira Teodoro, de 10 anos, estava no sábado tão ansioso quanto a mãe, Márcia Helena Oliveira Teodoro, que fez questão de filmar toda a performance do filho. Guilherme representou o príncipe mouro e de cima do seu cavalo branco desfilou pelo “Fernando Costa”.
A Cavalhada é reconhecida desde 1996 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) como parte do patrimônio histórico da cidade. Desde 2010 o movimento foi também reconhecido pela Secretaria de Estado da Cultura e inserido no calendário oficial do Governo do Estado como um dos 300 pontos de cultura de São Paulo.