Todos sabem que a ágora grega é impossível no mundo atual. Não é mais possível juntar a população em uma praça para se decidir sobre os rumos da comunidade. Como alternativa, inventamos a democracia representativa, na qual o voto e os partidos políticos são fundamentais.
Quando os ventos de liberdade começaram a soprar mais fortemente na Inglaterra do século XVIII, os partidos políticos despontaram como símbolos da participação popular na soberania do Estado. A partir dessa época, é possível entendê-los como a divisão de um povo em vários segmentos políticos, cada um deles com um pensamento próprio em relação à forma como deveria ser governada a nação.
Nesse sentido, podemos afirmar que os partidos servem para exprimir e para formar a opinião pública. Estimulam os indivíduos a defender suas opiniões e são focos permanentes de difusão do pensamento político. Em seu interior, cada partido deve desenvolver um programa de ação, com objetivos e caminhos bem definidos, que traduzam um consenso interno e apresentem ao restante da população uma coerência em termos de proposições.
No Brasil, porém, esse entendimento dá-se apenas em tese. Na prática, nossos partidos acabam controlado por estruturas oligárquicas, minorias militantes, grupos econômicos ou líderes políticos já estabelecidos, o que acaba por distorcer sua real função e prejudicar o desenvolvimento de nossa incipiente democracia.
Em Franca, especificamente, o noticiário político das últimas semanas exemplificou bem essa distorção. A julgar por ele, alguns partidos por aqui não representam o pensamento de um grupo de cidadãos, ao contrário, pertencem a pessoas.
Como estratégia para consolidar seu poder, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), conseguiu nos últimos anos agregar o PP e o PSB, a despeito das concepções políticas que deveriam separar essas agremiações. Para tal colocou neles, ou atraiu para sua esfera de ação, políticos de sua confiança ou que se renderam à sua influência.
Recentemente, no entanto, uma jogada de seus adversários políticos, todos de olho nas eleições municipais de 2012, conseguiu reverter essa situação. Em ambos os casos, a direção estadual do partido resolveu destituir os diretórios locais. Saíram os ligados ao prefeito e entraram os que a ele se opõe.
Nessa substituição, o que importou não foram as convicções que deveriam referendar as ações desses partidos, mas simplesmente quem deverá comandar essas ações. Alguns vereadores também mostraram-se distantes do ideal partidário, ameaçando sair em lealdade ao prefeito.
É triste constatar, mas nosso sistema político necessita de uma reforma política urgente. Do jeito que as coisas estão, os partidos parecem ferramentas a serviço do poder. Indiferenciados, acabam por referendar a frase do historiador Oliveira Viana, proferida há mais de cem anos: ‘nada mais liberal que um conservador na oposição, nada mais conservador que um liberal no governo’.