Apesar da pouca oferta de produtos e serviços, os mercadinhos de bairro, localizados em áreas mais residenciais, têm ganhado cada vez mais espaço em Franca. Conforme a cidade avança - nos últimos 6 anos surgiram 20 novos bairros na cidade -, o número de supermercados de menor porte, mercearias, armazéns e vendas também cresce. Dados da Secretaria de Finanças mostram que em dois anos, a quantidade de estabelecimentos desse tipo aumentou 11,8%. Passou de 871 no começo de 2009 para 974 até julho deste ano. Só nesses últimos setes meses foram 16 novas inscrições no cadastro da Prefeitura.
Quebra-galho para muitas donas de casa, eles trazem grande parte dos itens que os consumidores precisam, porém em espaços menores e com menos opções de marcas. Alguns se especializaram em funcionar como lojas de conveniência e não trabalham com alimentos perecíveis, outros apostaram no estilo gourmet e oferecem rotisserias, padaria, açougue e varejão com frutas, verduras e legumes.
Para o diretor regional da APAS (Associação Paulista de Supermercados), Tiago Albanezi, o crescimento do setor ocorre em razão da expansão da cidade. A abertura dos minimercados visa atender à demanda de consumidores que não querem ir longe de casa para fazer suas compras, querem realizá-las de maneira rápida ou buscam itens de primeira necessidade. “Com a economia estabilizada, as pessoas vão mais vezes ao supermercado e para não perder tempo e economizar, preferem ir naquele mais próximo. Então quando um bairro surge, naturalmente aparece uma oportunidade.”
Outras vantagens apontadas são a ausência de fila e o atendimento pessoal conquistado em razão da proximidade entre cliente e empresário. “Os consumidores desses estabelecimentos fazem compras pequenas e moram perto. Dessa forma, o contato se torna mais frequente”, disse Albanezi. Segundo a associação, a maioria dos estabelecimentos ocupa área inferior a 200 metros quadrados e tem até dois caixas. O mix de produtos não ultrapassa dois mil itens.
A comerciante Márcia Helena Barcelos Rodrigues, proprietária de um mercado que leva o seu nome no Jardim Paulistano diz ter fregueses que todos os dias vão ao estabelecimento. “A gente se torna amigo é como se fizesse parte da nossa família. Quando não aparecem, até sentimos falta.” Com frios, padaria, enlatados e varejão, ela diz que está sendo “obrigada” a ampliar o negócio. “Começamos vendendo balas e chicletes e agora a clientela já está pedindo por um açougue.”
Segundo Carlos Pereira, presidente da Associação dos Supermercados de Franca e dono de dois supermercados, cada bairro da cidade tem de um a dois estabelecimentos varejistas de pequeno porte. “Com a falta de tempo e a correria do dia a dia, as pessoas buscam a comodidade que os mercados de bairro oferecem.”
A cozinheira Aparecida Lima Barboza é uma freguesa assídua de minimercados no bairro onde mora, na zona leste da cidade, e diz que lojas em um formato menor ajudam na hora de uma emergência. “Faço compras diárias e sempre que sou surpreendida na cozinha com a falta de um produto. De tanto frequentar o mercadinho, o pessoal já me chama de dona Cida.”