O alerta que a crise americana nos dá é para que independentemente de ideologias partidárias, é preciso construir um programa de sustentabilidade econômica que vá além das divergências políticas
A crise americana pode ser explicada de forma simples: os EUA têm um PIB (Produto Interno Bruto) de US$14,72 trilhões e possui mais de US$ 50 trilhões de moeda impressa espalhada pelo mundo. A verdade, que não é dita, é que qualquer cidadão da Terra que compra e guarda dólares é na verdade o financiador da dívida americana, pois a moeda americana emitida sem lastro e sem circular, não gera inflação e não desvaloriza. Ocorre que nos últimos anos grandes investidores, que estavam com seus dólares guardados em cofres, vêm transformando suas riquezas financeiras em riqueza real, ou seja, adquirindo ativos reais, como indústrias, máquinas, terras, minerais preciosos, aplicando em países em desenvolvimento etc.
Aceitem ou não, a economia americana sempre esteve lastreada em bens alheios, em razão da “convicção da aceitação” de que comprar e guardar dólares é uma operação segura e tranqüila, porém na realidade não passa de uma utopia, pois quando todos começaram simultaneamente a colocar em circulação os dólares que estavam escondidos nos “colchões” a crise americana iniciou-se.
Recordamos que no governo do presidente americano Ronald Reagan, já se temia que, se por um motivo qualquer, houvesse uma repentina venda maciça de dólares, a crise seria tamanha que a chamada Grande Depressão econômica de 1929, pareceria um “traque” perto de uma bomba atômica. Naquela época inclusive, circulou o boato de que o governo americano iria trocar a cor verde das tradicionais notas de dólar pela cor vermelha, com um pequeno prazo para a troca das cédulas e com sua origem devidamente comprovada, porém chegou-se à conclusão de que a medida poderia somente piorar a situação.
Deixando de lado as questões econômicas, o que a recente crise americana nos mostrou foi o poder que os Congressistas americanos têm, pois podem definir os “rumos e o destino” de seu país. Enquanto aqui no Brasil, infelizmente, por mais instrumentos constitucionais e legais que existam, o Poder Executivo (governo), não precisa nem dar “ouvidos” ou considerar o que o Poder Legislativo propõe, fala, faz ou vota. A crise também nos mostrou um sinal de alerta, pois a nossa dívida continua alta, o Brasil paga atualmente 5,10% pelos juros da dívida, ficando somente atrás da Grécia (em séria crise econômica) que paga 5,47% , o que demonstra ainda mais nossa vulnerabilidade.
Temos o problema da taxa de câmbio, mas como desvalorizar o real sem gerar uma pressão inflacionária? Por outro lado, se a taxa de câmbio permanecer como está, estará desindustrializando o país? O alerta que a crise americana nos dá é para que independentemente de ideologias partidárias, é preciso construir um programa de sustentabilidade econômica que vá além das divergências políticas. É preciso ter a capacidade de inovar em torno de um Brasil maior.
ORDEM DOS MÚSICOS DO BRASIL
O STF (Supremo Tribunal Federal) dispensou os músicos do registro na Ordem dos Músicos do Brasil como pré-requisito para o exercício da profissão. Os ministros entenderam que, a música, como forma de arte não depende de registro ou licença e que a sua livre expressão não pode ser impedida pelo órgão de classe. Até então, músicos que se apresentavam passavam por situações constrangedoras, pois deveriam portar o registro da Ordem dos Músicos do Brasil, sendo que, para obter tal registro deveriam passar por exames teóricos e provas práticas, o que dificultava a vida dos músicos autodidatas, que são a maioria. Quem deve estar feliz e comemorando é meu amigo Beny Chagas que apesar de ser um exímio músico, aprovado pela Ordem, sempre entendeu ser dispensável tal registro.
ASSINA OU NÃO ASSINA
Virou piada! No Senado da República, a oposição tenta conseguir as 27 assinaturas no requerimento para a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigará denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes e no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Ocorre que senadores assinaram o documento, horas depois retiraram suas assinaturas e posteriormente vieram a público se desculpar e um disse que voltará a assinar o requerimento. Ora, isso é falta de responsabilidade, pois parece “coisa de criança” e nós brasileiros temos que assistir a tudo isso! Fazer o que?
DOIS PESOS DUAS MEDIDAS
Caso verídico, apenas alteramos os nomes para preservação dos personagens. João, casado com Maria, grávida, desempregado há meses, sem ter uma mistura em casa foi ao rio Piratuaba-SP a 5km de sua casa pescar para ter o que comer com o arroz e feijão, pegou quase um quilo de lambari e, sem saber que era proibido pescar naquele local (uma reserva ambiental), foi detido por dois dias. Um amigo pagou a fiança de R$280,00 para liberá-lo e terá que pagar ainda uma multa ao IBAMA de R$724,00. A sua mulher Maria grávida de 4 meses, sem ter notícias do que aconteceu com o marido que havia desaparecido, entrou em desespero, passou mal, foi para o hospital e teve aborto espontâneo. Ao sair da detenção, João recebe a noticia de que sua esposa estava no hospital e perdeu seu filho, em razão dos lambaris que ficaram na lata do lixo da delegacia. Agora, presidente e diretores de sociedade de economia mista, responsáveis pelo derramamento de mais de um milhão de litros de óleo na Bahia da Guanabara, que matou milhões de peixes, pássaros, destruindo a flora e a fauna, além de comprometer o turismo de várias cidades da região, encontram-se em liberdade, circulando livremente pela sociedade carioca. Coisas do Brasil!
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br