O prefeito Sidnei se gaba em seus discursos, geralmente coléricos, que tem enfrentado os grandes problemas de Franca. Nada mais distante da realidade. Na área social, a distribuição de renda em Franca continua concentrada e a renda média é uma das mais baixas do Estado para as cidades do mesmo porte.
Na verdade, o que é feito pelo atual governo é fruto de ações redistributivas dos governos federal e estadual, através da Bolsa-Família. O visível aumento de pedintes e moradores de rua revela a ineficácia e o fracasso do governo municipal na área.
Em relação ao desenvolvimento econômico, Sidnei apostou numa cidade comercial e na diversificação industrial da fabricação de lingeries, com seus baixos salários e pouco valor agregado, enquanto cidades vizinhas como São Carlos apostaram em alta tecnologia, que necessita de mão de obra qualificada e gera altos rendimentos. Não existe uma política municipal consistente para o desenvolvimento econômico sustentável, nem mesmo para o carro-chefe da cidade que é sua indústria calçadista, cada vez mais desamparada politicamente diante dos desafios impostos pela produção chinesa.
O prefeito se apresentava como o grande gerente, capaz de solucionar os graves problemas da saúde. Sidnei, que gosta de responsabilizar seus antecessores, fez como Pilatos, nada resolveu, apenas lavou as mãos e devolveu a bomba de efeito retardado da deficitária Santa Casa ao Estado, deixando a população pobre à mercê de uma burocracia distante do cotidiano local. O programa Saúde da Família não avançou. A dengue retornou com gravidade. O SAMU emperrou. Só prédio e empreiteira não resolve, faltaram gestão e criatividade.
Na educação, os indicadores são pífios, continuamos longe de uma educação de qualidade e em tempo integral. Seu legado será a esdrúxula e inexplicável desapropriação do ‘esqueleto’ para a burocracia do setor.
Política cultural não houve, num retrocesso sem limites. Não houve democratização do poder, participação popular e transparência. Sob todos os aspectos republicanos, este é um governo que fez Franca retroceder por seu autoritarismo e ausência de diálogo, que incluiu até a mudança da bandeira da cidade.
No que tange ao desenvolvimento urbano, o caos se instalou no trânsito, a Prefeitura não se preparou para enfrentar os desafios da motorização desenfreada diante do abandono do transporte coletivo em seu governo.
Os conjuntos habitacionais novos, construídos pelo setor privado cada vez mais distantes do centro, vão gerar enormes demandas de investimento e custeio ao poder público no futuro.
O abandono das diretrizes do Plano Diretor que visavam salvaguardar as nascentes do Canoas e a liberação de obras particulares sem uma análise de impacto de vizinhança cobrará sua fatura de insustentabilidade. Da água do Sapucaí, essencial para o futuro, não se tem notícia, o dinheiro foi gasto para os automóveis.
Nunca a Prefeitura teve tantos recursos, mas Sidnei não foi capaz de aproveitar de forma sustentável o bom momento da economia brasileira. A conta destes oito anos será amarga para os francanos.
Mauro Ferreira
Arquiteto e professor da FESP/UEMG