08 de julho de 2026

Logo eu, Moura!


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Salvo engano, Moura nasceu no Vale do Paraíba. Veio para Franca já com a patente de Major e com um certo prestígio político. Aqui casou-se, tornou-se fazendeiro e criou uma família numerosa e bem posicionada na sociedade.

O Major Moura era, portanto, um homem de conceito e muito respeitado na cidade. Líder político, tinha facilidades de trânsito no Rio de Janeiro, sede da República e centro das decisões da política nacional. Além de Major, político, pai de família e fazendeiro, Moura era caçador. Gostava de andar pelas florestas brasileiras abatendo, com sua pontaria certeira, vários tipos de animais que, naquela época , eram muitos e, infelizmente, hoje fazem parte das listas dos espécimes em extinção. É em torno de sua atividade de caçador que surgiram lendas e mitos, alguns por ele mesmo inventados e outros pela imaginação fértil daqueles que com ele conviviam.

Contam, por exemplo, que o Major possuía um periquito fenomenal. Todo azul, o periquitinho comunicava-se em várias línguas: francês, inglês e, especialmente, num corretíssimo português. A pequena ave era a preciosidade do Major e de sua família. Porém, numa fatídica tarde de outono, o periquitinho bateu asas e desapareceu na imensidão do horizonte azul. O Major ficou tresloucado. Procurou o bichinho por tudo quando era lugar e nada. O periquitinho desapareceu sem deixar rastro. Puseram anúncios em jornais locais e estaduais sobre o sumiço do psitacídeo, ofereceram gordas recompensas para quem trouxesse alguma informação e nada. O periquito havia desaparecido para sempre.

Já conformado com o ocorrido, o Major foi caçar, conforme era de seu costume, lá pelas bandas de Mato Grosso. Numa tarde sem caça e sem novidades, o Major Moura viu um bando de periquitos voando em formato de flecha e resolveu mirar sua espingarda para o líder dos periquitos. Atirou e o periquitinho foi cair bem perto dos seus pés. Ao aproximar-se da caça abatida, o Major teve uma dolorosa surpresa. O periquitinho azul, virando as asinhas para o peito ensangüentado, exclamou num último suspiro:

– Logo eu, Moura !