10 de julho de 2026

Cemitério da Saudade, na área central, vira antro de sexo e furtos


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DESRESPEITO - Imagem mostra base de um vaso de bronze arrancado do túmulo. Peça é deixada pelos ladrões por estar parafusada no jazigo

O Cemitério da Saudade, no Centro de Franca, tem perdido sua paz que seria habitual. O local tem se tornado alvo de furtos cada vez mais constantes e palco para encontros sexuais em plena luz do dia. Na lista de objetos furtados estão peças em bronze, como puxadores de gaveta, vasos, placas e letras, que são arrancados das pedras de mármore ou granito, destruindo as sepulturas. A Prefeitura não tem um levantamento do número de furtos ocorridos no local, mas segundo os funcionários e zeladores dos túmulos, as peças são levadas diariamente pelos ladrões. O local conta com 5.192 sepulturas no total.

Há 25 anos Aparecida Antoniete, 69, limpa túmulos no Cemitério da Saudade. São cerca de 60 sepulturas lavadas semanalmente por ela. Para a zeladora, a cada ano que passa, trabalhar no local fica mais complicado por conta do grande número de furtos ocorridos. Na manhã de segunda-feira, um dos jazigos lavados por ela estava sem dois, dos quatro vasos de bronze que fazem a decoração. “De uns dez anos pra cá eu vejo um aumento gradativo no número de furtos. Mas nos últimos dois anos a ‘coisa ferveu’. A cerca de arame farpado, que colocaram em cima do muro, fez com que os ladrões viessem roubar as peças durante o dia. Acabou que não adiantou nada.”

O pedreiro Josué Crispim, 72, trabalha no cemitério há 26 anos e também confirma que o local tem sido alvo dos ladrões, cada vez mais abusados. “Durante o dia eles entram pelo portão em frente ao velório, pelo último portão de baixo e, enquanto a gente está trabalhando de um lado, eles entram com uma sacola ou mochila nas costas e vão roubar do outro. De dia eles roubam na cara dura”.

SEXO
Além dos furtos constantes no cemitério central, os zeladores dizem que as sepulturas servem como camas para práticas sexuais. Uma mulher, que pediu para não ser identificada, trabalha há 22 anos limpando os jazidos, e disse que no local acontece de tudo. “Várias vezes já vi homem transando com homem. Esses dias fui limpar uma sepultura dei de cara com duas meninas se beijando. Em outro dia, eu vi um senhor que aparentava 70 anos descendo lá pro fundo com um outro homem e vi eles tendo relação sexual”. Para ela, a solução para o que acontece no cemitério é colocar vigias que façam ronda diariamente em período integral.

A dona de casa Maria Aparecida Amaral Gomes é proprietária de uma das sepulturas que já tiveram peças furtadas. Do jazigo da família já levaram quatro puxadores e dois vasos, todos de bronze. Desanimada, Maria Aparecida diz que não vai recolocar nada do que foi levado. “O que acontece no cemitério é um desrespeito. Mensalmente eu venho aqui e, vez ou outra, fico sabendo de um túmulo que teve algo levado. No meu eu não vou recolocar nenhuma peça. Se colocar, eles vêm e levam de novo”, desabafa.

Além das reclamações de furtos e práticas sexuais, os zeladores disseram que alguns andarilhos tomam banho nos tanques usados para lavar panos e pegar água para a limpeza das sepulturas. Os desocupados ainda lavam suas roupas e as colocam para secar em cima dos túmulos.