A cachaça Sagatiba agora pertence ao grupo italiano Campari. A marca foi vendida por US$ 26 milhões - equivalente a R$ 41 milhões -, mais um valor adicional de 7,5% das vendas anuais da bebida pelos próximos oito anos. Produzido em Patrocínio Paulista, o produto é comercializado no Brasil e em 12 países ao redor do mundo, sendo que os maiores mercados são Brasil, Inglaterra e Alemanha.
O negócio foi fechado na quarta-feira e divulgado pelo Grupo Campari na manhã de ontem, em comunicado oficial à imprensa. Nele, a empresa italiana diz que desde 2010 já distribuía a bebida brasileira na América Latina. Agora, adquiriu a marca Sagatiba e os ativos de negócios relacionados a ela, incluindo produtos acabados.
Na prática, ela assume a Sagatiba por completo, com todo o processo de fabricação da cachaça - que passa pela destilação e pelo engarrafamento, até chegar a comercialização. Em 2010, foram consumidos no mundo um milhão de litros da cachaça produzida em Patrocínio.
De acordo com Luciana Moreno, gerente de comunicação interna e relações públicas do Grupo Campari no Brasil, o negócio não mudará em nada a produção da bebida. Isso significa que a cachaça Sagatiba continuará a ser feita em Patrocínio Paulista, de forma terceirizada, em galpão da Usina Cevasa. Luciana não soube informar quantos funcionários são empregados na cidade, mas disse que todos continuarão com seus postos de trabalho. “Vamos dar continuidade do jeito que está, porque a bebida continuará a ser fabricada.”
A Sagatiba será a primeira marca de cachaça a ser comercializada pelo grupo italiano que tem em seu portfólio outras 45 bebidas, entre elas a vodca SKYY, o conhaque Dreher e o uísque Glen Grant.
Procurada, a direção da Sagatiba não quis se pronunciar. A empresa não tem assessoria de imprensa e, de acordo com uma pessoa ligada ao setor de marketing, apenas Marcos de Moraes, proprietário da companhia, poderia dar informações sobre o assunto. Ainda segundo ela, Moraes estaria viajando ao exterior justamente para tratar do negócio e deve retornar somente na segunda-feira.
HISTÓRIA
A empresa foi lançada no mercado em 2004 pelo empresário paulistano Marcos de Moraes, 45, que tinha um plano audacioso: produzir a primeira marca de cachaça a se estabelecer fora do Brasil. Conseguiu. Sete anos depois, ele está presente em treze países, incluindo o Brasil. Oferece aos consumidores uma variedade de cachaças de alta qualidade, destinadas, inclusive ao público jovem.
De acordo com dados da Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas), em dezembro de 2005, a Sagatiba foi avaliada uma das melhores cachaças do mundo pelo BTI (Beverage Testing Institute), de Chicago, um dos mais respeitados institutos de análise de bebidas alcoólicas.
A Sagatiba Preciosa - destinada ao público jovem - é a única cachaça do mundo a conquistar a medalha de platina e a integrar a categoria máxima, Superlative Category, do BTI. Ela obteve 96 pontos de um máximo de 100. A Sagatiba Pura e a Sagatiba Velha receberam medalha de ouro, com 93 pontos, completando o trio de cachaças da marca que ocupam as primeiras colocações do ranking do instituto.