A temperatura despencou 10 ºC em apenas quatro horas na tarde de ontem em Franca. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a temperatura era de 19ºC às 13 horas e caiu para 9ºC às 17 horas. A sensação térmica era ainda mais gelada. O vento forte e a chuva fizeram o francano sentir frio equivalente a 4ºC em alguns pontos da cidade. A previsão é de frio recorde para hoje. O Inmet esperava que os termômetros marcassem 4ºC na madrugada. Se a previsão se confirmar, será a temperatura mais baixa do ano. O frio mais intenso registrado em Franca foi de 5,2ºC, em junho.
Segundo o meteorologista Franco Vilela, a mudança drástica no clima foi resultado da chegada de uma forte massa de ar polar que cobriu o Estado de São Paulo, e outras regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A massa de ar frio é de origem continental e ganhou impulso em uma pista de ventos secos e muito gelados vindo diretamente da Argentina.
O frio repentino pegou de surpresa a população de Franca. Por volta de 16 horas, a chuva e o vento começaram a aumentar, e as muitas pessoas que saíram sem blusas ou guarda-chuvas sofreram para se proteger.
Lojas e coberturas de pontos de ônibus serviam de proteção. Quem trabalha na rua teve de interromper seu dia. O agente de área azul Odirlei Fabrício, 31, que cuida de um trecho de estacionamento da Praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro, teve que correr e se esconder em uma lotérica. “Eu achava que era mais um tempo frio, não esperava essa chuva”, disse o agente que estava sem agasalhos. Daliana Ruiz Evangelista, 32, companheira de trabalho de Odirlei, estava mais preparada. “Ontem eu senti muito frio, então hoje eu vim empacotada.” Alguns usaram a criatividade e improvisaram plásticos e lonas como proteção. Outros andavam o mais depressa possível, sem ter como cobrir o corpo.
O vendedor Mauro José dos Prazeres, 63, foi a pé a uma empresa no Centro para atender um cliente. Quando voltava, a chuva o pegou pelo caminho, mas não ligou. “Não importo de me molhar. A chuva veio em boa hora”, comemorou.
O Terminal Rodoviário Ayrton Senna também foi palco de grande aglomeração. Centenas de pessoas esperavam circulares para voltar a suas casas. Entre elas, estava o operador de ejetora Lazaro Candido da Silva, 63, que sem blusa e encolhido, tremia de frio, e aguardava um ônibus que o levasse ao bairro Santa Efigênia. “Estava um pouco frio, agora descambou. Acho que vai nevar amanhã”, brincou.