10 de julho de 2026

Em vez de espaço de lazer, praças viram tormento para seus vizinhos


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SUJEIRA - Restos do que era um sofá amontoados em um ponto da Praça do Jardim Ângela Rosa, à Rua Pedro Scarabucci. O material deveria ter sido depositado em um ponto de transbordo da cidade ou recolhido pelo Arrastão da Limpeza

Alvo de vândalos, depósito de lixo, ponto de tráfico e motel a céu aberto. Praças, construídas para oferecer lazer à população de Franca, muitas vezes se tornam tormento para vizinhos. Na primeira semana deste mês, a reportagem visitou 12 praças nas regiões Central, Norte e Leste. Cinco estavam em boas condições, mas sete estavam em estado precário, com lixo doméstico espalhado por vários cantos. A Prefeitura estima que 40% das 162 praças da cidade sejam visitadas mais de duas vezes por mês para a recolocação de algo que foi destruído.

Um exemplo de como não deveria ser uma praça foi encontrado no Jardim Ângela Rosa. O espaço possui árvores, parque de madeira, campo de terra para futebol, bancos e mesas e pistas para caminhadas e passeio de bicicleta, mas o que chama a atenção na praça é a montanha de lixo: de um lado restos de comida e de fraldas descartáveis; de outro, espuma, tecidos e madeira do que restou de um sofá.

Um vizinho da praça, que pediu para não ser identificado, disse que convive com essa situação há anos. Segundo ele, a sujeira é jogada pelos próprios moradores da região. “É uma praça grande, mas do que adianta? O povo do bairro mesmo que faz essa sujeira. Nós não temos liberdade para trazer crianças na praça porque, além da sujeira, virou ponto permanente de drogados. À noite é um perigo circular por aqui.”

Na Praça do Canhão, no Parque Três Colinas, outro exemplo de descaso e de vandalismo, com sacolas de plástico e muito lixo espalhado por toda a área. Bem perto, numa pequena praça da Rua Jonas Alcântara Vilhena, o mesmo cenário: restos de comida, pratos, sacolas e sacos de plástico e um grande amontoado de galhos de árvores retirados de casas próximas e jogados na calçada da pracinha.

De acordo com a doméstica Lucilene Moura, a situação é precária. “O lugar que deveria ser usado para o nosso sossego é reduto de sujeira e drogas. Fico com medo de andar aqui. É gente fumando droga, é homem bêbado dormindo nos bancos, é lixo que os moradores colocam aqui e que os cachorros saem espalhando, é gente fazendo sexo na maior pouca vergonha.”

Outro alvo de reclamação é a Praça do Jardim Consolação. O local é bem iluminado, mas, segundo moradores do entorno da praça, o local está sempre sujo, com lixeiras reviradas, folhas e muitos galhos. “As crianças vêm aqui brincar e espalham terra para todo lado. À noite, mais para a ponta da praça, sempre ficam pessoas estranhas fumando droga”, disse a dona de casa Maria Aparecida dos Santos Cruz.

A presença da reportagem na praça Três Colinas parece ter incomodado dois homens que, com “cara de poucos amigos”, seguiram atentamente a movimentação dos repórteres à distância.

A maioria dos moradores entrevistados, apesar de reclamarem da presença de estranhos e de uso constante de drogas nas praças, disseram nunca ter chamado a polícia por medo de sofrer represálias. A Prefeitura também não é procurada. Apenas um vizinho afirmou que reclamou uma vez da situação de descaso da praça do Angela Rosa. Segundo ele, os homens da prefeitura foram até o local fazer a limpeza, mas em poucos dias a montanha de lixo voltou.

PROVIDÊNCIAS
A PM confirma que não recebeu denúncias sobre as praças. Já o secretário de Serviços e Meio Ambiente da Prefeitura, Ismar Tavares, disse que, além dos problemas com a sujeira, a Prefeitura enfrenta os furtos e o vandalismo que acontecem em área públicas. Ele cita que lâmpadas de postes da Praça da Capelinha foram quebradas com pedras no início do mês.

Segundo a Secretaria de Serviços e Meio Ambiente a manutenção desses locais acontece a cada quinze dias em todas as praças da cidade e são gastos cerca de R$ 100 mil mensais nesse trabalho, que inclui limpeza, manutenção e reparos. São gastos 30% desse montante em manutenção como a troca de bancos e lâmpadas, o restante é destinado para as equipes de trabalho, ferramentas e transporte de uma praça para outra.

O secretário afirma ser necessária a ajuda da comunidade para tentar conter a destruição das áreas criadas para lazer. “Falta educação ambiental e respeito por parte de muitas pessoas. A população pode colaborar muito ligando para a nossa secretaria e até para a polícia denunciando quando alguém está destruindo o patrimônio público, pois isso é crime”, disse ele.

O telefone da secretaria para esse tipo de denúncia é (16) 3711-9438. No caso da PM, o telefone é 190.