11 de julho de 2026

‘Senti raiva, muita raiva quando fui preso’, diz Rafael Rodrigo


| Tempo de leitura: 4 min
POUCAS PALAVRAS - Rafael Rodrigo Rossin foi direto nas respostas e disse que sente pelo sofrimento imposto à sua família

Antes de ser preso na madrugada do dia 24 de abril, domingo de Páscoa, Rafael Rodrigo Rossin, de 20 anos, morava com os pais e os irmãos numa casa comum do Parque Progresso. Segundo os vizinhos e comerciantes do bairro, ele não era de sair muito. As poucas vezes em que era visto estava sempre na praça próxima de sua casa com outros garotos definidos como “estranhos”. Costumava usar calças e blusas mais largas e não namorava. Também é descrito como sendo muito quieto e tímido.

Por conta da personalidade mais fechada, os vizinhos se disseram surpresos ao saberem da notícia da prisão de Rafael e da acusação de ele fazer parte de uma quadrilha de assaltantes. Segundo eles, Rafael nunca foi sinônimo de problemas nem algazarra. Pelo contrário, era tido como um garoto tranquilo.

Assim como João Paulo, hoje Rafael também divide a cela com outros onze presos. Ele disse que raramente sai da cela, só mesmo para assistir às disputas de futebol. Também não conseguiu se enturmar e pouco conversa.

Na entrevista, Rafael parecia pouco à vontade. Deu respostas curtas para todas as perguntas e mentiu quando disse que trabalhava antes de ser preso. Ao ser questionado a respeito, Rafael afirmou ter trabalhado em uma empresa de madeiras e transporte de Franca. Ao entrar em contato com o dono da empresa para confirmar a informação, a reportagem descobriu que ele nunca foi empregado no local, que é, na verdade, a empresa onde seu pai trabalha. Veja os principais trechos da entrevista que ele concedeu ao jornal.

Comércio da Franca - Como foi envolvido com a gangue dos playboys?
Rafael Rodrigo Rossin -
No dia em que eu fui preso, eu estava em um churrasco no Jardim Francano. Quando o João Paulo me ligou dizendo que ia me buscar lá. Aí eu sai com ele. Paramos na minha casa para eu tomar banho e umas meninas ligaram para a gente pegar elas também e sair para um rolê. Aí foi onde eu vim preso.

Comércio - Você sabia que o João Paulo era envolvido com o furto de carros e residências e que o carro onde vocês estavam era furtado?
Rafael -
Não tinha conhecimento.

Comércio - Como você se sentiu na hora em que a polícia identificou o carro como produto de furto e prendeu você e o João Paulo?
Rafael -
Me senti com raiva. Muita raiva.

Comércio - De quem?
Rafael -
De tudo. De estar lá naquele momento. Do lugar, das pessoas.

Comércio - Você pensou que fosse acabar preso no CDP?
Rafael -
Eu achei que eu iria sair de lá no primeiro dia. Mas depois, o tempo foi passando e, agora, com toda a modificação, já não sei não.

Comércio - Você trabalhava antes de ser preso?
Rafael -
Trabalhava. Era representante comercial. Eu estava empregado quando fui preso.

Comércio - E como está a sua vida aqui na cadeia?
Rafael -
Normalidade

Comércio - Você recebe visitas aqui? Como são esses encontros?
Rafael -
Meu pai e meu irmão vêm me visitar. É muito triste. Tem hora em que olho para eles e vejo que estão bem abatidos. Meu pai está até mais magro também. A gente vê o sofrimento na cara das pessoas.

Comércio - E como você se sente em relação a isso?
Rafael -
Chorar não choro não porque tenho a mente firme, mas me sinto culpado por tudo isso, pelo sofrimento deles.

Comércio - Você conhece o Leonardo Engler Pugliesi?
Rafael -
Esse eu não tenho conhecimento nenhum.

Comércio - Você não saia com o Leonardo? Não ia para baladas com ele e com o João Paulo?
Rafael -
Não. Não ia com ele a lugar nenhum. Nada. Nada. Nada.

Comércio - Como era quando você saia à noite? Era todo fim de semana?
Rafael -
Não, não. Isso era bem raramente.

Comércio - E onde você costumava ir?
Rafael -
Em qualquer barzinho. Naqueles ali atrás da Unifran mesmo ou no churrasquinho.

Comércio - Você usa drogas?
Rafael -
Fumo maconha.

Comércio - Você se classificaria como um playboy?
Rafael -
Não. Não sou playboy. Até porque eu trabalho. E tudo o que eu tenho eu conquistei foi com meu trabalho suado. Não ganhei nada de mão beijada. Não tenho carro, não tenho moto.

Comércio - E o que você espera fazer se um dia ganhar a liberdade?
Rafael -
Quero seguir a vida da melhor forma.