10 de julho de 2026

Quadrilha era investigada há pelo menos 18 meses


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Traçar em detalhes os passos da investigação que culminou com a prisão de cinco jovens e a decretação do mandado de prisão de um sexto (que permanece foragido) é missão quase impossível. O delegado Márcio Murari, que comanda os trabalhos na DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e supervisionou as investigações, se recusou a comentar o caso. Segundo ele, o trabalho da polícia já foi encerrado e não há motivos para ele falar sobre o assunto.

Daniel Radaeli, delegado que também responde pela DIG, disse não poder comentar o caso por não ter acompanhado o trabalho de perto. “Quem coordenou esta investigação foi o Márcio Murari. Eu não me sinto à vontade para falar nada a respeito”.

O único que aceitou conversar sobre como foram os trabalhos da polícia foi o investigador Paulo César de Rezende. Ele foi um dos coordenadores das investigações, mas não esclareceu detalhes da ação. Na entrevista gravada por telefone no início da noite da sexta-feira, dia 15, Paulo disse que o trabalho começou há um ano e meio e teve como ponto de partida as ações de Leonardo Engler Pugliesi, apontado como líder do grupo.

Comércio da Franca - Como começou a investigação em relação à gangue dos playboys?
Paulo César Rezende -
Eles já estavam sendo investigados por outros furtos de residências que estavam cometendo aqui na cidade há mais ou menos um ano e meio.

Comércio - E quem eram os investigados nesta época?
Paulo Rezende -
A principio, o Leonardo Engler.

Comércio - Como foi a investigação para chegar ao restante das pessoas?
Paulo Rezende -
No decorrer das investigações, descobrimos o apartamento onde estavam os objetos. Naquele mesmo incidente, o Thiago, irmão do Leonardo, e o Guilherme ficavam passando toda hora lá para ver o que estava acontecendo e nós os identificamos.

Comércio - Como vocês sabiam que eles estavam ligados ao Leonardo?
Paulo Rezende -
A gente sabia quem fazia parte do grupo dele. Que era aquele pessoal todo lá: o João Paulo, o Rafael, o Guilherme. Aí, o João Paulo foi preso com um carro produto de furto. Eles são todos amigos e fomos ligando uma coisa a outra.

Comércio - Então vocês sabiam que o Leonardo não estava agindo sozinho, que existia com ele mais quatro pessoas...
Paulo Rezende -
A gente tem um vídeo deles todos em Ribeirão Preto comprando gaiola para passarinho. Estão todos juntos.

Comércio - Então, vocês prenderam o João Paulo e ligaram ele à quadrilha por conta do vídeo...
Paulo Rezende -
Isso. Além disso, alguns objetos dos furtos foram localizados na casa dele.

Comércio - E o Rafael, qual a prova que existe do envolvimento dele com a quadrilha? Ele está nas imagens do vídeo?
Paulo Rezende -
Não está. Mas até aí ele estava no carro com o João Paulo. Era amigo de todo mundo lá.

Comércio - Como vocês traçaram o modus operandi desta quadrilha? Vocês chegaram a afirmar que eles conheciam as vítimas, estudavam a rotina delas, que eles a visitavam...
Paulo Rezende -
(interrompendo) Como eles tinham boa aparência, andavam em carros do ano, carros novos e tal, têm um poder aquisitivo mais alto, é fácil para eles fazerem amizades.

Comércio - Mas existe algum depoimento de vítima dizendo que conhecia eles...
Paulo Rezende -
A maioria das vítimas conhecia os pais do Leonardo.

Comércio - Os acusados frequentavam a casa das vítimas?
Paulo Rezende -
Tem a filha de uma das vítimas que mora aqui no Centro que estudou junto com o Leonardo na escola.

Comércio - Mas ele ia em festa na casa dela, frequentava o local, fez amizade para ir lá assaltar como vocês chegaram a afirmar?
Paulo Rezende -
Não, não. Aí eu acho que não.

Comércio - Efetivamente, em quantos roubos ou furtos eles estão envolvidos nas contas da polícia
Paulo Rezende -
Aproximadamente uns 15

Comércio - E o Thiago Engler Pugliesi, continua foragido?
Paulo Rezende -
Sim. Não temos pistas de seu paradeiro.