08 de julho de 2026

Migração em baixa


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O mundo é cada vez mais ‘móbile’, mas apenas no que diz respeito às tecnologias de comunicação a distância. Em termos de migração, os grandes deslocamentos regionais não acontecem mais, pelo menos não da mesma forma que ocorreram durante boa parte do século passado, quando acabaram por dar forma às grandes metrópoles brasileiras.

Segundo reportagem publicada pelo Comércio no domingo, 17/07, essa corrente migratória está bem mais contida. Estados como Rio de Janeiro e São Paulo, que historicamente foram os principais destinos daqueles brasileiros que se aventuraram pelo então chamado ‘sul maravilha’ estão agora perdendo população.

A região Nordeste continua a perder moradores, mas com uma intensidade bem menor que há 15 anos atrás. Ao contrário, a região Centro-Oeste figura como a grande receptora de imigrantes. No âmbito municipal, nota-se que as grandes cidades perdem habitantes e as médias crescem cada vez mais.

As explicações para essas mudanças percorrem basicamente dois eixos. O primeiro liga-se à busca por mais segurança e qualidade de vida. Cansados da agressividade do trânsito, da violência das ruas e dos problemas estruturais causados pela própria intensidade do crescimento, muitos habitantes optaram por ‘fugir’ das grandes metrópoles.

O segundo está ligado à desconcentração experimentada pela economia brasileira a partir da década de 1980, quando muitas empresas começaram a buscar incentivos fiscais e menores custos de produção em outras localidades. Com isso, regiões anteriormente exportadoras começaram a receber imigrantes, tanto seus antigos residentes que haviam migrado como os novos que seguiram em busca de emprego e novos desafios.

Empresas francanas, por exemplo, seguiram para o interior nordestino em busca de melhores condições de produção, levando consigo centenas de empregos que passaram a engrossar a economia de localidades que antes não conseguiam manter seus habitantes.

No caso específico da região Centro-Oeste, além das indústrias que ali se instalaram, é possível afirmar que a excelência do agronegócio brasileiro muito contribuiu para torná-la atualmente a maior receptora de migrantes do Brasil.

Em recente pesquisa feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), intitulada Índice de Expectativa das Famílias (IEF), é possível observar que os habitantes da região Centro-Oeste são os mais otimistas em relação à manutenção de seus empregos.

De forma geral, esses dados são muito importantes para o país. Por meio deles podemos perceber um maior equilíbrio econômico entre as regiões brasileiras. Como conseqüência natural, é possível deduzir um país mais equilibrado socialmente, com menos pobreza e miséria.

Finalmente, depois de alguns séculos, estamos deixando de ‘arranhar’ o litoral feito caranguejos, como já disse Frei Vicente do Salvador há muitos séculos.