09 de julho de 2026

Dólar baixo assusta calçadistas francanos


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PREOCUPAÇÃO - A ArtMille produz 400 pares de calçados por dia, 30% é para exportação. Empresa está preocupada com os efeitos da baixa do dólar nos negócios com o exterior

Hoje, perto de 4 milhões de pares de calçados produzidos em Franca são negociados com outros 50 países a cada ano. O total representa entre 10% e 15% da produção de sapatos da cidade. Mas esses números devem mudar até o final de 2011. As sucessivas quedas na cotação do dólar na última semana já ameaçam o fechamento dos contratos de exportação e preocupam os calçadistas.

Nesta semana, a moeda americana chegou a ser cotada a R$ 1,53, o menor valor dos últimos 12 anos. Quando há baixa no dólar, o preço do calçado brasileiro no mercado externo fica mais caro para os compradores. O valor é a soma dos impostos, dos custos de produção e do lucro da empresa. Ele é calculado em real e depois transformado para o dólar. Por exemplo, se para produzir e lucrar uma fábrica gasta R$ 100 por par de sapatos, no mercado externo, o valor deste calçado será de US$ 65,36 (100 dividido por 1,53). Se a moeda americana, cair para R$ 1,45, o mesmo calçado passará a custar US$ 68,9.

Com o dólar tão baixo, o preço do calçado nacional perde competitividade. “Não há como vender para o exterior. Os clientes simplesmente não compram. Esta taxa cambial entre R$ 1,50 e R$ 1,60 coloca as exportações de Franca à beira do abismo”, disse José Rosa Jacometi, diretor administrativo da Bordallo Calçados (Anatomic Gel).

A empresa produz 1,2 mil pares de sapatos por dia. Metade é negociada com o exterior, principalmente, países da Europa. “Estamos muito preocupados. Não temos condição de competir com o produto de outros países com um preço tão alto. O mercado interno também está saturado. Não temos ideia de como será daqui para frente se nada for feito.”

Thales Vieira, diretor de exportação da D’Milton Calçados, também está apreensivo. A empresa, que expôs na Francal, voltou para Franca com boas perspectivas de contratos de exportação, mas, com a queda do dólar, concretizar a venda tem sido cada vez mais difícil. “Na época da Francal, o dólar estava cotado a R$ 1,60. Agora já sofreu uma desvalorização de cerca de 5%. Pode parecer pouco, mas, em termos de exportações, é muito. Já tivemos alguns clientes que desistiram de compra por conta desta diferença de valores.” A D’Milton produz 500 pares de sapato por dia voltados para o mercado externo.

Na ArtMille, o cenário está longe de ser animador. “Hoje estamos sem saber como proceder. Com o dólar a este valor, estamos revendo todos os nossos custos para não perder mercado, mas não será fácil continuar exportando. Estamos muito apreensivos”, disse Paulo Gonzales, gerente comercial da empresa, que tem 30% de sua produção de 400 pares por dia direcionada para o exterior.