Estava tudo resolvido. Como já era previsto, depois de mais uma crise, das costumeiras ameaças e das consultas e cirurgias canceladas, o Estado surgiu com o socorro imediato. Valores acertados, tudo parecia caminhar para a normalidade, pelo menos até que a próxima crise estourasse, uma vez que a saída encontrada apenas varria a sujeira para baixo do tapete, mas não a ‘limpava’. A ação, de efeito imediato, não se propunha a enfrentar as questões do déficit mensal, que continuaria existindo, nem outras abordagens administrativas que porventura pudessem melhorar o fluxo organizacional do hospital.
Porém, como mostra a reportagem publicada pelo Comércio na terça-feira, 26/07, nem o imediato foi imediatamente resolvido. Nossa esfera política é tão sui generis que atenta até mesmo contra a língua portuguesa. No limite das entranhas do poder, conseguiram redefinir o significado da palavra imediato, adiando-a ao bel prazer do tempo e dos corredores da burocracia.
Nessa indefinição, quem sofre são os pacientes. Com exames pré-operatórios já realizados, muitos esperam ansiosos pelas cirurgias que já deviam estar acontecendo. Sem nenhuma previsão, são obrigados a conviver com seus problemas, a despeito dos direitos constitucionais que lhes garante o direito à saúde.
O Estado, consultado, repete o mesmo discurso de sempre. Por meio de sua assessoria, a Secretaria da Saúde disse que o termo aditivo para a ajuda de 5 milhões já está pronto, mas que ainda não há uma data prevista para a liberação do dinheiro. A Secretaria defende, ainda, a demora na liberação do dinheiro, alegando a naturalidade do trâmite burocrático por se tratar de dinheiro público.
O raciocínio é interessante. Zelar pelo dinheiro público é uma obrigação contra a qual ninguém vai gritar ou reclamar. Porém, o acordo feito entre a Santa Casa e o governo do Estado é para um socorro imediato. Como há doentes na fila e as doenças não entendem de burocracia, era de se esperar que o zelo pelo dinheiro público se concentrasse mais no encaminhamento dado a ele por parte da Santa Casa do que em sua liberação.
Se realmente o problema for o zelo com o dinheiro público, seria bom que o governo do Estado, juntamente com a diretoria da Santa Casa, começasse a pensar em como sanar esse déficit mensal, como já foi colocado por esse jornal. Se todos pensarem juntos, com certeza encontrarão uma melhor solução para o emprego desse dinheiro.
Contudo, se nada disso for feito, seria bom que a Secretaria já começasse a providenciar o próximo termo aditivo, pois não vai demorar muito até que a Santa Casa volte a requisitá-lo.
Se a Secretaria assim proceder, pelo menos não precisará culpar a burocracia pelos próximos atrasos. E o imediato poderá voltar a ser imediato novamente.