Para Sonia Machiavelli e Luiz Cruz de Oliveira, que abrem portas e páginas de vida literária ao francano amante do verbo
Pisar pedras, colher flores...
Fazer do vento alimento
Dos olhos, corações múltiplos
Da pena, sopro, suspiro
Das mãos, fiandeiras de longas tramas
De lágrimas, luzes e penumbras
De úmidos túmulos e cálidos campos
Tecer letras labirínticas
Em fios-chave de abertura
Enveredar-se entre versos
De prosa e canto cingidos
Tramar tramas de alforria
Em veredas-sumidouro
Acordar sonho e vigília
Palavrear riso e morte
Em lucilante harmonia
Vigiar vento marinho
Embalar água corrente
Ser pólen e raiz profunda
Fruto, fibra, pindaíba
Sobre água encapelada...
Inverossímil verdade
Em verbo voz de veludo
De lã, de linho, de seda...
Ponto e laço
De letra arte
Conto e verso
De alma, artesanato...
Artifícios de poeta.