Você já saboreou um prato de cambuquira, de taioba ou de gariroba? Comeu uma pele de porco cozida no feijão com bastante pimenta , salsinha e cebolinha? Já experimentou um cudiguim ou um torresmo moído? E o chouriço? O salgado eu já comi, mas o chouriço doce não me apeteceu.
É bem provável que a maioria dos meus leitores jamais tenha provado as referidas iguarias. Que pena!
A cambuquira é um refogado de brotos de abóbora com tomate, alho, cebola e pimenta. A gariroba é um palmito amargo que , bem preparado , dá um sabor diferente à comida e aos pastelões. A taioba deve ser cozida e, depois, servida como salada. Pele de porco e torresmo não exigem maiores esclarecimentos . O cudiguim é uma espécie de lingüiça bem temperada e recheada de pedacinhos de pele de porco. Para comê-lo basta cozinhá-lo no feijão. O chouriço assemelha-se também a uma lingüiça cheia de sangue de porco.
Todas essas comidas ( e mais a carne seca com cará ) eram freqüentes em nossas mesas. Disseram-me que na feira da Estação ainda se pode encontrar a taioba, a goriroba, a cambuquira. Contudo, esses pitéus , juntamente com o torresmo, a pele de porco , o cudiguim, sumiram de nossas mesas. Hoje é arroz, feijão , bife e uma saladinha de alface e tomate. De noite, enche-se o estômago com pizzas, hambúrgueres, fogaça, panquecas e salgadinhos.
O pior, prezado leitor, é que eu gosto de tudo isso. Gosto dos velhos e dos novos hábitos alimentares. Gosto da boa cozinha, da mesa farta , das gordurinhas pecaminosas, dos temperos acentuados. Não sei se como para viver ou para morrer. Na verdade, como por prazer. Se me fosse possível escolher o cardápio de amanhã, eu indicaria um refogado de cambuquira, um arroz-papa com pele de porco e caldo de feijão, um angu durinho feito de fubá grosso e uma pinguinha fabricada nos alambiques de Capitólio. E pode cair geada que eu não estou nem aí.