08 de julho de 2026

Contra as drogas


| Tempo de leitura: 2 min

O consumo de drogas não tem nada de recente. Mesmo as comunidades mais primitivas já utilizavam substâncias alucinógenas em suas festas e rituais.

A utilização intensa e indiscriminada desses produtos, no entanto, foi decorrência da intensificação do processo de circulação de mercadorias. Com a expansão do capitalismo e da produção em massa, massificou-se também a produção das drogas. Barateadas e mais acessíveis, elas se infiltraram com facilidade em um mundo que se tornava cada vez mais urbano, escamoteadas pelas ruas e becos mais recônditos das cidades.

Mesmo combatidas e ilegais, em pouco tempo essa indústria das drogas passou a fazer parte da paisagem urbana. Primeiramente focada nas camadas mais abastadas da população, essa indústria foi se especializando. Da mesma forma que as indústrias legalizadas, aperfeiçoou seus processos de produção e suas abordagens administrativas. Em sintonia com as transformações sociais, diversificou seus produtos e passou a atender também as camadas de mais baixa renda.

Por não pagarem impostos, nem respeitarem qualquer lei, cresceram e enriqueceram-se rapidamente, o que dificultou ainda mais seu combate.

Em função de tudo isso, talvez alguns possam imaginar que as drogas sejam inerentes às sociedades humanas. De fato, se considerarmos a legalidade de drogas tão nocivas como cigarros e bebidas alcoólicas, poderíamos até supor essa inevitável convivência.

O problema, porém, é que como qualquer outra indústria, a das drogas tem buscado maximizar seus lucros. Para tanto, desenvolve produtos cada vez mais fortes e intensos, viciando rapidamente, aumentando a violência e causando sérios danos aos usuários, às suas famílias e à sociedade de forma geral.

Nesse sentido, a força-tarefa de combate às drogas lançada pela Prefeitura merece o respaldo de nossa comunidade. A idéia de se unirem em uma rede de informações todos os setores envolvidos com esse problema das drogas é fundamental para se desenvolver um bom programa de prevenção, acolhimento e atendimento.

Da mesma forma, a criação de um protocolo a ser seguido por qualquer uma das áreas envolvidas permitirá a padronização das ações realizadas em qualquer um deles, algo imprescindível para que, posteriormente, os envolvidos possam medir e avaliar os resultados, bem como repensar o novo plano de ação.

Assim como no mundo empresarial, procedimentos bem determinados, setores integrados e uma boa rede de informação são imprescindíveis para o sucesso de qualquer programa ou projeto. Unir os setores da saúde, segurança, assistência social e conselho tutelar vai propiciar uma corrente de ação com elos inteligentes. Em qualquer um deles os atendentes saberão como proceder e qual é o melhor encaminhamento que deve ser dado ao problema.

Mesmo considerando que esse programa não será a panacéia para o problema das drogas, há que se reconhecer o mérito da proposta.