A ação da Polícia Civil, através da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), que desmantelou uma megaquadrilha de tráfico de drogas em Franca, traz em si, claro, um alento. Foi um que se mostrou eficiente e meritório. Mas revela também um dado preocupante para a população: os números do tráfico de drogas.
A julgar por eles, o negócio das drogas apresenta claros sinais de prosperidade. Afinal, que franquia bem sucedida poderia se dar ao luxo de abrir vinte pontos de venda em uma mesma cidade, como fez essa quadrilha agora desmantelada pela ação policial?
Se pensarmos nos lucros auferidos por todos esses pontos de venda e na rentabilidade final de toda a ramificação do tráfico, fica fácil inferir o tamanho e o potencial dessa indústria. Com tanto dinheiro disponível, seu poder de invadir o ambiente social e destruir suas bases éticas e morais vai deixando de ser uma simples ameaça para se tornar uma triste realidade. E isso tudo é apenas um grão de areia no universo do tráfico. Isso multiplicado pelas dezenas de quadrilhas que continuam agindo na cidade, podem dar a dimensão do tamanho do problema.
Na contramão desse ‘próspero negócio’, no entanto, é possível imaginar a aflição que invade boa parte das famílias que habitam não apenas a cidade e seu entorno, mas também o estado e todo país. Com tamanha facilidade de acesso às drogas, fica cada vez mais difícil distanciar seus filhos de uma possível experiência, sobretudo se levarmos em consideração a curiosidade, a sensação de poder e a adrenalina exagerada que invadem o espírito de jovens e adolescentes, geralmente mais propensos a desafiar qualquer autoridade, os pais e o ‘stabeleshment’.
Nessa linha de raciocínio, se considerarmos a maior ramificação do tráfico, bem como a intensidade e a rapidez de seu avanço junto às camadas mais pobres da população, é possível deduzir que estamos vivenciando um aumento no número de consumidores, o que faz jus a essa preocupação.
O que fazer, então? Como combater essa indústria poderosa, cada vez mais presente, ousada e atrevida? Será que essa ação da polícia realmente dizimou essa quadrilha? Ou a indústria do tráfico responderá rapidamente com novos pontos e outros ‘soldados’?
As respostas não são fáceis, muito menos simples. De qualquer forma, como a reação faz-se necessária, é fundamental que toda a sociedade se disponha a refletir sobre o problema. O trabalho da Polícia Civil é fundamental; a iniciativa da Prefeitura - que lançou uma força-tarefa contra as drogas - também. Mas é também importante cada um assumir um trabalho mais intenso no interior das próprias famílias. Mais diálogo, informação e observação, certamente, podem ajudar.