A morte do empresário Wagner Garcia, um dos maiores acionistas do grupo Magazine Luiza, não deve afetar a administração dos negócios da segunda maior rede de varejo do País. Wagner tinha participação acionária nas duas empresas que controlam o grupo: a LTD Administração e Participações S.A. e a Wagner Garcia Participações S.A. Além disso, também era acionista individual. O grupo, que estreou na Bolsa de Valores em maio deste ano, não informa quanto de seu capital acionário estava sob o controle do empresário. Pelo prospecto de oferta pública de ações, registrado pelo Magazine na Comissão de Valores Mobiliários, em março, Wagner detinha pelo menos 30% da empresa.
Segundo Onofre de Paula Trajano, padrinho de Wagner e membro do Conselho de Administração do grupo, apesar de o empresário ser um dos maiores acionistas, ele já não desempenhava funções estratégicas no Magazine Luiza. “De uns tempos para cá, ele passou mais a supervisionar os diretores. Conferir o que era feito e assinado. Claro que participava das negociações e das discussões de contratos. Fazia questão de acompanhar tudo muito de perto, mas não tinha mais uma posição estratégica.”
Com a mudança do escritório central da empresa para a capital paulista, Wagner optou por permanecer em Franca e atuava mais diretamente nos negócios administrados pela holding, onde também trabalha sua filha Flavia Bittar Garcia. Seus outros dois filhos também atuam no grupo. Fabrício Bittar Garcia, que mora em São Paulo, é diretor comercial e seu irmão Franco Bittar Garcia atua na área administrativa do escritório central. Os três possuem pequenas participações acionárias no grupo.
“Tudo ainda é muito recente. Não conversamos com os meninos sobre esse assunto (o que eles pretendem fazer com as ações do pai). Mas temos toda tranquilidade de afirmar que não haverá qualquer tipo de interferência nos rumos do Magazine. Somos uma família muito unida. Não temos disputas ou intrigas. Estamos todos juntos”, afirmou Onofre.
Ele disse ainda que as definições sobre os negócios de Wagner só devem começar depois que o inventário de seus bens for aberto pela Justiça, o que deve acontecer em 30 dias. “Por enquanto, não temos nenhuma mudança. Só o que posso afirmar, mais uma vez, é que o Magazine, apesar da nossa perda enorme com a morte de Wagner, continuará sendo uma empresa sólida e respeitável no mercado.”
Pelo último balanço divulgado, em maio deste ano, só nos três primeiros meses de 2011, o Magazine Luiza conseguiu uma receita bruta de R$ 1,7 bilhão. O valor é 51,6% maior que o alcançado no mesmo período do ano passado. Com a compra da rede Baú da Felicidade, do grupo Silvio Santos, em junho, o Magazine Luiza alcançou a marca de 725 lojas espalhadas por 16 Estados do Brasil e superou 21 mil funcionários.