As “denúncias” começaram mais de um ano após o final da licitação e quase dois anos depois de iniciado o processo de escolha do prédio da unidade do Poupatempo, em pleno período de campanha eleitoral. Em meados de 2010, uma série de e-mails foi disparada pela internet fazendo diferentes acusações. Não se sabe quem elaborou o texto original que, a partir daí, com pequenas e sutis diferenças entre suas múltiplas versões, algumas delas atribuindo a origem do material falsamente a jornais da Capital ou agências de notícia, foi espalhado como spam pela internet.
Alguns políticos e radialistas se aproveitaram do falso material para tentar atingir a imagem de Corrêa Neves Jr e vincular o deputado Gilson de Souza (DEM), então candidato à reeleição, a um suposto esquema de favorecimento. O relatório do promotor identifica entre aqueles que repassaram o texto Cristiano Rodrigues, o Crico, então candidato a deputado estadual pelo PV; Erismar Tanja, radialista e à época assessor de imprensa da Prefeitura de Restinga, e Wladimir Bastos, que não teve sua profissão confirmada. Os três, além do radialista Marcelo Bomba, foram alguns dos que violentamente acusaram Corrêa Neves Jr de participar de um “esquema” para conseguir vantagens indevidas. Bomba fez seguidos e reiterados ataques nos programas que comandava na rádio Imperador e na Nova TV, pelos quais já responde na Justiça.
O texto mentiroso espalhado pela internet usava o fato do governo do Estado ter deixado de lado a antiga sede da Unesp, no Centro de Franca, em favor de um imóvel particular, como indício de “favorecimento”. Em nenhum momento o texto lembrava que o imóvel, sede da universidade por décadas e onde hoje funcionam diversas secretarias estaduais, não possui as características necessárias para instalação de uma unidade do Poupatempo e, para dificultar tudo, ainda é tombado pelo patrimônio histórico. Caso o governo do Estado tivesse decidido instalar ali o Poupatempo, certamente as obras de adequação se arrastariam por um tempo infinitamente maior - e os valores envolvidos, seriam muito mais altos.
Depois, novas versões dos e-mails com os boatos foram distribuídos, misturando valores que seriam investidos em várias etapas da instalação e manutenção do Poupatempo ao longo de cinco anos, inclusive dinheiro destinado ao pagamento de salários e equipamentos, com os recursos que efetivamente seriam repassados a Corrêa Neves Jr. Um destes spams, com o título “Governo de SP dá prédio de R$ 6 milhões a jornal do interior”, insinuava que parte significativa dos valores vultosos do programa Poupatempo seriam destinados a Corrêa Neves Jr, o que sempre foi mentira.
O promotor de Justiça, após sua detalhada investigação, confirmou que os valores citados no e-mail eram completamente irreais. “O Estado está locando um imóvel que no mercado imobiliário de Franca teria locatícios mensais (aluguéis) superiores a R$ 15 mil. Pagará em cinco anos apenas R$ 570 mil. E para as adequações físicas fez previsão de gastar cerca de R$ 200 mil, isto é, cerca de 20% do valor total original do contrato de locação”, afirmou Paulo Borges em seu relatório, mostrando a discrepância dos valores que constam dos boatos com os reais, que seriam recebidos pelo proprietário do imóvel. Além disso, Borges também analisou os documentos dos demais imóveis que particiram do processo licitatório e cofirmou que a escolha pela antiga sede do Comércio para sediar o Poupatempo obedeceu critérios técnicos e legais.
Para o promotor, o caso foi transformado em disputa política. “Em ano eleitoral, até o candidato a deputado estadual pelo PV, Cristiano Rodrigues, o Crico, também passou a encaminhar aquele mesmo e-mail com o acréscimo de que ‘Esta história foi intermediada pelo Deputado Gilson de Souza (que ano passado também disputava uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo Democra-tas)... Será um dos maiores escândalos da política francana, envolvendo Jornal Comércio da Franca e Governo de SP’”, aponta Paulo Borges em seu relatório. O ex-assessor de imprensa da Prefeitura de Restinga e radialista da emissora comunitária do município, Erismar Tanja, também é citado no relatório da promotoria. “(Erismar Tanja) Aproveitou-se daqueles e-mails que estavam circulando pela Internet”.
Paulo Borges examinou todos os documentos da licitação e, em seu despacho, afirma que não encontrou nenhuma irregularidade. Destacou também que foi um processo limpo e amplamente divulgado. O promotor, além de descartar qualquer tipo de favorecimento, ressaltou ainda que o governo do Estado teria o poder e o direito, se quisesse, para comprar ou alugar imóveis sem licitação. Preferiu a saudável opção por uma licitação pública. “Este destaque jurídico é relevante para dissipar qualquer alegação de favoritismo, pois tinha a Administração Pública a via jurídica da dispensa da licitação, mas preferiu realizar o processo licitatório”.
O jornalista Corrêa Neves Jr, conhecido pela contundência de seus argumentos e pela postura combativa, disse que lamenta a ausência de critérios éticos básicos na postura de quem o acusou indevidamente. “É natural que quem critica seja criticado e nunca reagi contra aqueles que contestam o trabalho que fazemos aqui no GCN Comunicação, mas não se pode permitir denúncias totalmente infundadas e imputação de crime”, afirma. “Lamento profundamente que os autores não tenham feito uma única ligação para ouvir o que eu tinha para dizer. Ninguém checou processos, documentos nem se deu ao trabalho elementar de verificar se as fontes citadas no covarde spam eram verdadeiras. Não eram. Todos os envolvidos se basearam num falso texto distribuído unicamente pela internet para me atacar de maneira baixa, violenta e gratuita”.