11 de julho de 2026

Jardim Zoobotânico de Franca distribui por ano 100 mil plantas


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COMANDO - A jovem Taís Zinak Figueiredo, 25, é bióloga e diretora do Jardim Zoobotânico. Entre os projetos para 2011 está a criação de um Centro de Reabilitação de Aves para vítimas do tráfico de animais silvestres

Grande parte das árvores que podem ser vistas nas calçadas de Franca saiu do Jardim Zoobotânico de Franca. São espécies como flamboyant, magnólia e tantas outras que são formadas a partir de mudas em uma área de 200 hectares. Por ano, aproximadamente 100 mil plantas são destinadas a projetos de arborização urbana e reflorestamento da zona rural de Franca. Além disso, o Zoobotânico distribui mensalmente 200 mudas de graça para a comunidade. Já para produtores rurais da região, são entregues até 20 mudas por propriedade entre os meses de dezembro e março.

À frente de todo este trabalho está a bióloga e diretora do Jardim Zoobotânico, Taís Zinak Figueiredo, 25. Desde que assumiu a função no começo do ano passado, Taís também acompanha de perto os projetos educacionais desenvolvidos dentro do Zoobotânico como os cursos de ervas medicinais e temperos que são ministrados para a comunidade em geral. Em breve, a instituição deve passar a desenvolver dois projetos voltados para a fauna.

Em parceria com a Promotoria do Meio Ambiente e a Embrapa, o Zoobotânico estuda a possibilidade de implantar este ano um projeto para preservar abelhas nativas da região. A proposta é que as crianças, durante as visitas escolares, aprendam um pouco sobre a importância de se preservar as abelhas e como desenvolver este trabalho. Também em 2011, o Zoobotânico poderá ganhar um viveiro para cuidar de aves vítimas de maus tratos e do tráfico de animais silvestres. “Hoje quando a Polícia Ambiental faz uma apreensão não tem para onde mandar estas aves. Com o viveiro, elas teriam um lugar para ficar até poder voltar para a natureza”, disse Taís Zinak.

Para que o novo projeto seja desenvolvido, a área, atualmente aberta, deverá ser cercada e seguranças contratados para fazer a vigilância depois do horário de saída dos funcionários. São projetos como este que a direção do Zoobotânico quer apresentar para estudantes que visitam o local. “Aqui elas conhecem desde o processo de plantio das sementes até a como cuidar das mudinhas. Os estudantes também têm contato com o bosque de Pau Brasil”, afirmou a bióloga.

Pelo Jardim Zoobotânico passam, em média, duas mil pessoas por mês. O trabalho é desenvolvido por 16 funcionários e o local é aberto à visitação de segunda a sexta-feira das 7 às 11 horas e das 12h30 às 16 horas. Neste horário são distribuídas as mudas para plantio na área urbana e até o mês de março para reflorestamento. O acesso é gratuito. O jardim fica no City Petrópolis e o telefone é (16) 3703-0454. 

Comércio da Franca - Quando o Jardim Zoobotânico foi fundado e qual era o objetivo inicial?
Taís Zinak -
O espaço foi criado na década de 50 como Horto Florestal. Somente no final dos anos 90 foi transformado em Jardim Zoobotânico. No começo, eram cultivadas principalmente mudas de hortaliças e café. Somente quando a Olga Toledo (engenheira agrônoma que trabalhou por vários anos no Zoobotânico e desenvolveu um trabalho de arborização na cidade e distribuição de mudas para a população) assumiu, na década de 60, foi que outras mudas passaram a ser cultivadas no espaço. Hoje o Jardim Zoobotânico tem 200 hectares de área verde.

Comércio da Franca - Como é o trabalho desenvolvido no Jardim Zoobotânico?
Taís Zinak -
Produzimos mudas principalmente para arborização urbana. São espécies específicas para plantio na cidade para evitar que as raízes quebrem calçadas e tubulações e que os galhos cheguem até os fios de energia elétrica. Também trabalhamos com mudas para reflorestamento da zona rural que são distribuídas principalmente para produtores rurais da região de Franca. Além disso, temos um trabalho de educação ambiental em que recebemos alunos de escolas de toda a cidade. Aqui as crianças são informadas sobre o que acontece desde que a semente está germinando até a hora do plantio. Elas têm contato com todo o processo. Os estudantes ainda conhecem o bosque formado apenas por Pau Brasil, que é uma das atrações do Zoobotânico. Felizmente a maioria das crianças chega ao Zoobotânico bem conscientes devido ao trabalho realizado pelas escolas que abordam a preservação ambiental. Dentro da sala de aula elas aprendem a importância de se plantar uma árvore e também a de preservá-la.

Comércio da Franca - Em Franca são encontradas muitas calçadas arrebentadas por raízes de árvores de grande porte que não são adequadas para a zona urbana. Antigamente não existia a preocupação de se plantar apenas espécies adequadas para a área urbana?
Taís Zinak -
Acredito que antigamente não havia essa orientação sobre a melhor espécie para ser plantada na cidade. Além disso, nem todas as árvores que foram plantadas em Franca foram de mudas cultivadas no Jardim Zoobotânico. Hoje temos essa preocupação. Só plantamos árvores ideais para a zona urbana. São espécies que já estudamos e isso vai evitar que as raízes quebrem a calçada ou a tubulação. Também não teremos árvores grandes como pé de jaca que vi uma vez plantada na cidade. O morador precisa prestar atenção na fiação para que futuramente não tenha que ficar podando os galhos. Algumas podas são tão radicais que quase matam a planta.

Comércio da Franca - O Jardim Zoobotânico trabalha com quantas espécies?
Taís Zinak -
Temos 40 espécies de árvores entre nativas e exóticas (que são oriundas de outros países) como o flamboyant (da África) e a magnólia (da China e Japão). Já nossa capacidade de produção é de 100 mil mudas por ano, o que é um número considerável. A nossa intenção é aumentar a produção este ano, levando em conta a quantidade de espécies e de mudas. A ideia é chegar a 80 espécies.
Quanto à distribuição, atualmente entregamos, em média, 200 mudas para a população para arborização urbana. Entre os meses de dezembro e março distribuímos mudas para reflorestamento para produtores rurais. São entregues 20 mudas por propriedade. A ideia é que os fazendeiros e sitiantes aproveitem o período de chuva para plantar. A distribuição é feita para toda a região, mas damos prioridade para o município de Franca e para aqueles que estão na bacia do Rio Sapucaí-Mirim como Patrocínio Paulista e Cristais Paulista.

Comércio da Franca - É feito um acompanhamento destas plantas?
Taís Zinak -
Não porque não temos pessoal suficiente para isso. As orientações de como plantar e cuidar são feitas no momento da entrega das mudas.

Comércio da Franca - Ainda falta conscientização por parte da população sobre a importância de ampliar a quantidade de árvores na cidade?
Taís Zinak -
Falta sim. Às vezes, chegam pessoas no Jardim Zoobotânico dizendo que querem uma árvore que não caia folha, não faça nenhum tipo de sujeira e não atraia passarinho. É complicado. Na verdade, até indico espécies frutíferas para atrair pássaros. Assim, a pessoa vai contribuir para a alimentação das aves. Em Franca, eu acho que falta mais iniciativa do morador para plantar uma árvore em frente sua casa. O que acontece muito é justamente o contrário. Encontramos muita gente querendo cortar árvores plantadas em frente à residência.

Comércio da Franca - Todas as mudas são formadas no próprio Jardim Zoobotânico?
Taís Zinak -
Não. Até por uma questão de genética buscamos em outras regiões também. Evidentemente que também coletamos na própria cidade principalmente quando alguém nos comunica que as sementes estão caindo. Vamos lá e fazemos a coleta. As sementes são plantadas e ficam dentro de uma estufa até crescerem e serem transportadas para fora onde tomam sol e chuva. A doação das mudas é feita, em geral, com mais de um ano de idade por que já estão fortes e o risco de morrer é menor.

Comércio da Franca - Quais são os projetos desenvolvidos dentro do Zoobotânico?
Taís Zinak -
Temos o Projeto Pau Brasil que foi criado a partir do bosque formado apenas pela espécie com proposta de se preservar a árvore que dá nome ao País. Com as sementes vamos ampliando o bosque. Também promovemos cursos em parceria com o Fundo Social de Solidariedade, como o de plantio de ervas medicinais e aromáticas. Os alunos aprendem a plantar, cuidar e ainda damos dicas sobre as melhores formas de usá-las. Saem daqui sabendo como utilizar ervas para tempero e como desidratar. Também temos o curso de jardinagem e paisagismo. São aulas voltadas para toda a população e que promovemos no decorrer do ano. Outro projeto que temos é o Programa Verde é Vida, criado pela Prefeitura Municipal, e que prevê a distribuição de mudas para arborização.
Além disso, estamos desenvolvendo junto com a Promotoria do Meio Ambiente um projeto de conservação das abelhas nativas da região. São espécies que não picam. A proposta é ensinar as crianças a cuidar das abelhas e também promover cursos voltados para os produtores rurais. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), inclusive, demonstrou interesse em fazer parte deste projeto. Neste momento, estamos batalhando para conseguir recursos para implantá-lo.
Estamos trabalhando ainda em um projeto para criação do Centro de Reabilitação de Aves. Ele será desenvolvido em parceria com a Promotoria e com o Ibama. Hoje quando são feitas apreensões de aves, principalmente vítimas do tráfico, não há para onde enviar os animais. A ideia é receber essas aves que deverão passar antes por uma avaliação com um veterinário para análise do estado de saúde delas. Em seguida, serão encaminhadas para o viveiro até estarem preparadas paras voltar para a natureza.

Comércio da Franca - De forma geral, você acha que as pessoas estão realmente preocupadas com a preservação ambiental?
Taís Zinak -
Acho que grande parte da população não está nem um pouco preocupada com esta questão. É claro que tem sempre as exceções, mas a verdade é que a grande maioria não se importa com a situação. Por isso acho que realmente falta um trabalho de conscientização não apenas sobre arborização, mas também sobre a questão do tráfico de animais silvestres.

Comércio da Franca - Quais animais podem ser encontrados no Jardim Zoobotânico?
Taís Zinak -
Os animais que são encontrados no Zoobotânico vivem soltos pelo parque. Entre as espécies está o sagui que é a grande atração durante as visitas escolares. Temos uma variedade muita boa de aves e também encontramos cobras com muita facilidade. Muitas pessoas quando nos visitam perguntam por que os bichos vivem soltos e sempre explicamos que eles não precisam ficar presos em uma gaiola. Temos que aprender a observar os animais soltos no ambiente deles.

Comércio da Franca - Qual é a importância desse trabalho desenvolvido para a cidade?
Taís Zinak -
Com o projeto de arborização, de composição de mata ciliar, da educação ambiental e esses dois projetos que estamos trabalhando para implantar, teremos um espaço onde conseguiremos conscientizar as pessoas em todos os aspectos sobre a flora e a fauna. Na minha opinião, o trabalho que estamos desenvolvendo é muito importante para a comunidade em geral.