08 de julho de 2026

Expectativas para 2011


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Ano novo, governo novo, novas expectativas alimentadas por todos. É sempre assim. O gostoso do ano novo é que damos a nós mesmos, nova oportunidade. Todas as promessas e desejos que fizemos no início do ano que acabou, são renovadas e sentimos aliviados, como se numa prorrogação para o cumprimento dos compromissos. A invenção da mudança do calendário foi estratégica para renovar ânimos e intenções.

Na onda das expectativas positivas que todos desenvolvemos e, realmente, esperamos que aconteçam ao longo do ano, temos, infelizmente, que conviver com especulações negativas , até macabras. Assim entendo ser a ‘previsão’ que alerta o deputado Ubiali a tomar cuidado com viagens e acidentes. Não entendo qual o objetivo em se divulgar tal ‘previsão’. Qualquer um que viaja constantemente está sujeito a se acidentar e não é preciso que seja dado destaque a essa possibilidade, principalmente quando nomeia alguém. Independentemente da veracidade, só serve para gerar preocupação e receio. Não existe destino pré-estabelecido. Nós construímos nosso futuro através de nossas ações e omissões e, portanto, as considerações de início de ano devem estimulantes e positivas. Desejo ao deputado saúde e sucesso em Brasília.

Assim são, também, as minhas expectativas com o Brasil: positivas e realistas. O Brasil tem uma longa caminhada buscando sua sustentabilidade no desenvolvimento econômico e social que depende, irremediavelmente, da realização de importantes reformas estruturais. Tenho a expectativa que a Presidente Dilma terá um papel fundamental nessa caminhada. Ela tem o perfil executivo que o Brasil necessita. Acredito que sai de cena o Presidente carismático, responsável em expor - sem temor - as mazelas da histórica política elitista e excludente nacional, responsável em elevar a autoestima do brasileiro, retirando da miséria importante parcela da sua população e que inseriu nosso País no cenário mundial como um importante global player e entra, no cenário da vida política nacional, uma executiva desenvolvimentista e qualificada para preparar o País para a consolidação do seu desenvolvimento, implementando as reformas necessárias e dando ao Estado um perfil gerencial moderno. Pensar esse perfil gerencial moderno é o grande desafio e deverá ser feito com cautela para não sermos enganados com o falso discurso de que o mal na sociedade é a intervenção do Estado. A última crise financeira mundial, gerada pela liberdade e pela libertinagem do mercado financeiro, provou que graças à intervenção dos governos, através de seus Bancos Centrais, o estrago não foi maior. Fala-se muito, no Brasil e no mundo, em cortes orçamentários, mas deve-se ter muita cautela com esse discurso, principalmente como ele se dará na prática. A recuperação econômica no mundo, especialmente nos mercados mais ricos, ainda é muito lenta e frágil. Portanto, combater os déficits nacionais com cortes nos investimentos públicos pode colocar em risco essa ainda incipiente recuperação econômica. A possível e necessária redução nos gastos federais deve acontecer com ganho na eficiência pública. Minha expectativa é que a Dilma dê conta disso. Boa sorte.

Cassiano Pimentel
Agente de Exportação e Professor Universitário.