10 de julho de 2026

2,3 mil servidores municipais fazem empréstimo para sair do sufoco


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CONTAS PAGAS - A servente Maria Pacheco recorreu ao Fundo de Assistência ao Servidor e conseguiu quitar dívidas antigas

Levantamento da Secretaria de Administração mostra que 2.353 funcionários da Prefeitura pagavam empréstimos consignados em 2010. No total, 60% dos trabalhadores utilizaram o crédito oferecido com desconto diretamente na folha de pagamento para investir ou sair do aperto financeiro no ano passado. Os empréstimos são vinculados a bancos públicos e privados e foram retirados por motivos que vão desde a quitação de dívidas até a realização de investimento. De acordo com a secretaria, mais da metade dos empréstimos adquiridos se deve a casos de desemprego recente na família do funcionário.

A maior parte dos empréstimos - 53% - foi adquirida por servidores que recebem até R$ 1 mil de salário, sendo que as mulheres são as que mais utilizavam o serviço - 68%. Em 2010, R$ 882 mil foram transferidos dos salários dos funcionários municipais aos bancos para pagamento das quantias retiradas. Para o secretário Jerônimo Sérgio Pinto, o alto número de funcionários que adquirem o empréstimo está ligado à facilidade de acesso ao crédito barato. “A taxa de juros oferecida neste convênio entre a Prefeitura e os bancos varia entre 1,8% e 2% ao mês. É uma das mais baixas do mercado”, disse.

O empréstimo consignado em folha está disponível a todos os servidores. Segundo a secretaria, o limite de comprometimento da renda mensal com empréstimos é de 60% do salário líquido. “A lei federal permite que até 70% da renda total da pessoa seja comprometida por empréstimos. O servidor municipal tinha o costume de comprometer apenas 30% com a prefeitura, conforme era permitido, e o restante fora, a juros bem maiores. Muitos se endividavam com agiotas e nos preocupamos em mudar isso”, disse Jerônimo.

Em 2005, a prefeitura criou o Fundo de Assistência ao Servidor de Franca que oferece auxílio aos funcionários sem a necessidade da realização de empréstimos bancários. Ele é utilizado como um suporte nos momentos de maior dificuldade financeira. A servente Maria Pacheco precisou recorrer a ele, além do empréstimo bancário, há alguns meses quando acumulou muitas dívidas e achou que não conseguiria quitá-las. “Pedi ajuda porque a minha situação era crítica. Fiquei desesperada. Perdi muitas noites de sono e mal conseguia trabalhar. Hoje, as minhas contas estão mais equilibradas e posso viver mais tranquila”, disse ela.

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