Não deixa de ser uma boa notícia o anúncio de que a progressão continuada no ensino público do Estado de São Paulo sofrerá modificações. O sistema deve perder o nome e - dependendo do que for efetivado - o estigma. Afinal, a prática - sempre mantida pelos sucessivos governos tucanos em São Paulo - é o calcanhar de Aquiles da Educação em SP e sempre foi cercada de críticas por conta da aprovação de analfabetos funcionais - que sabem ler e escrever, mas não têm condições de compreender o que leem ou escrevem. A progressão continuada permite a promoção de alunos de uma série para outra independentemente das notas. Eles podem ficar retidos somente duas vezes, ao final dos ciclos: ao término do 5º ano e do 9º ano. Apenas o excesso de faltas leva à reprovação em outros anos. A partir de agora, pelo que a imprensa tem noticiado desde ontem, o sistema passará a ter três ciclos: de três em três anos o aluno também poderá ser reprovado caso não alcance o índice desejado de notas.
Na sua primeira entrevista logo após tomar posse, o secretário da Educação, Herman Voorwald, anunciou que os alunos do ensino fundamental matriculados na rede pública terão de fazer avaliações semestrais de desempenho. O resultado dessas provas estará ligado a um sistema de recuperação porque, segundo ele, fazer o estudante repetir de ano não é solução para se melhorar a qualidade da educação. Mas a aprovação automática não tornou o ensino no Estado melhor. Além de uma mudança no sistema atual, a melhoria passa ainda por uma atenção maior ao professor, permitindo que se recicle e tenha vencimentos condizentes com a sua importância para a formação dos cidadãos paulistas.
Há anos o Comércio tem publicado histórias surpreendentes de estudantes que são aprovados sem a menor condição. E isto acaba criando um grande número de alunos incapazes de compreender um texto. Estes são impedidos de buscar melhores condições na sequência da vida estudantil, não apresentam a mínima chance de competir por uma vaga em faculdades ou em escolas de ensino profissionalizante. E o resultado mais frequente é a existência de dezenas de indivíduos incapazes de ascender intelectual ou profissionalmente por conta da baixa qualidade do ensino que se esconde sob a progressão continuada. Se não houver uma mudança drástica em toda essa condição - e esperamos que, ao eleger o ensino como prioridade, o governador Geraldo Alckmin promova as alterações necessárias -, estaremos fadados a ver milhares de paulistas tendo que se sujeitar a subempregos ou buscar oportunidades à margem da lei. Esperamos que as mudanças anunciadas concorram mesmo para melhorar a Educação no Estado e que não sejam apenas uma “maquiagem” superficial sem resultados benéficos aos milhares de estudantes no território paulista.