07 de julho de 2026

Com uma peça a menos


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Cabecinha de Vento era um bonequinho de Lego muito “avoado”. Esquecia-se de tudo e sempre passava por “poucas e boas” por conta disso. Um dia foi comprar mistura para a mãe e esqueceu as moedas em cima da mesa. Teve de voltar correndo antes de o mercadinho fechar, pra buscar o dinheiro. Ao voltar, comprou tudo o que dona Lego pedira, mas ficou tão atento ao troco, que esqueceu as compras no balcão. Quando retornou, o Boneco-Verdureiro já havia fechado o mercado. Se não fosse o seu pai, que, dias antes, havia guardado “miojo” no armário, a família inteira ficaria sem janta.

O bonequinho também era dono de ir à escola e esquecer o lápis e o caderno em cima da cama. Pobrezinho! Sempre levava bronca da professora:

- Esqueceu o caderno outra vez, Cabecinha de Vento?

- Sim, professora...

- E agora, onde vai copiar a tarefa?

- Não sei...

- Leve o caderno da Barbie para copiar a lição de hoje e trate de colocar suas atividades em dia! Eu quero tudo pronto até amanhã!

- Sim, sim, professora!

À tarde, enquanto todas as crianças se divertiam no campinho de futebol, Cabecinha de Vento copiava a matéria atrasada pelo seu esquecimento. E no dia seguinte, tornava a esquecer o material escolar.

Seu pai, o senhor Lego, sempre ficava muito bravo com essa situação:

- Ô Cabecinha de Vento! Esse seu esquecimento é absurdo! Você só não esquece a cabeça porque está colada no pescoço!

E não é que um dia, ele esqueceu mesmo a cabeça em casa!

Certa vez, desmontou a cabeça para tomar banho, como de costume, mas deixou-a no banheiro e foi à escola, logo cedo. Ao perceber o desleixo do irmão, Cabecinha de Açúcar foi correndo atrás da mãe:

- Manhêê! O Cabecinha de Vento esqueceu a cabeça!

- Mas não é possível, filha! - exclamou a mãe, intrigada.

As duas saíram de casa e, de longe, avistaram Cabecinha de Vento, sem cabeça, passando sobre o trilho do trenzi-nho.

- Mamãe! - gritou Cabecinha de Açúcar - Ele será atropelado!

- Vamos correr, filha!

Desesperadas, as duas gritavam o boneco. Em vão! Ele não escutava, não enxergava e não falava, afinal de contas, estava sem cabeça.

Após atravessar a linha, foi caminhando ao meio da rua e acabou sendo atropelado pelo Carrinho de Madeira, que não teve culpa do acidente.

Cabecinha de Vento foi parar no hospital. Sua perna esquerda foi toda desmontada. Uma peça azul ficou perdida embaixo da ambulância e o Doutor teve que substituí-la por uma amarela. Ficou estranho, mas não tinha outro jeito. Apelar para um implante de peças artificiais, àquela altura do campeonato, era arriscado demais...

Hoje, todas as vezes que Cabecinha de Vento olha para aquela peça diferente em seu corpinho, se lembra de confirmar se não esqueceu nada em casa e confere se a sua cabeça está sobre seu pescoço.

Ultimamente não tem se esquecido de muita coisa. Tomara que continue assim, não é mesmo?