09 de julho de 2026

Em nome da fé, muleiros saem de Ibiraci rumo à cidade de Aparecida


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Romeiros tiveram como ponto de partida Ibiraci, em Minas Gerais. Próximos 11 dias eles estarão na estrada com destino a Aparecida

Era quase meio-dia de terça-feira, 4 de janeiro, quando um grupo de dez homens saiu de Ibiraci (MG) rumo à cidade de Aparecida (SP). Nem ônibus nem avião vão levá-los ao destino. Em nome da fé, eles optaram por uma viagem não muito convencional: foram montados no lombo de mulas. Passarão por, pelo menos, 23 cidades de Minas Gerais e São Paulo, num percurso de aproximadamente 500 quilômetros. Cavalgarão, no mínimo, onze dias.

A romaria com saída de Ibiraci é feita há cinco anos. A despedida dos muleiros, todos homens, segue um ritual que foi mantido ontem. Após arriar os animais, familiares do grupo se reuniram e rezaram um terço a Nossa Senhora Aparecida. Depois, os homens seguiram para a porta da igreja da cidade, onde juntos fizeram uma oração. Dali seguiram para a estrada de terra cuja primeira parada seria Capetinga (MG).

A devoção à santa fará com que os muleiros enfrentem sol, chuva e frio. Durante onze dias, eles viajarão oito horas por dia e, à noite, procurarão abrigo em pousadas e fazendas. As refeições serão feitas em restaurantes. Cada um deve gastar cerca de R$ 1 mil. Na viagem eles terão de se preocupar com o animal que estão montados e com outros 12 que seguirão na tropa. Dez mulas se revezarão a cada quatro horas e duas servirão como uma espécie de estepe. Para que os animais tenham pique na viagem, além de pastar durante a noite, cada um deve consumir quatro litros de ração por dia. Para o comerciante Júlio César Cintra, 23, a viagem é um aprendizado. “Você vê muita gente humilde pelo caminho. É uma lição de vida”, disse.

A primeira parada em Aparecida será na porta da Basílica. Lá eles rezam e fazem fotos. Depois, seguem para uma pousada próxima onde irão descansar. No dia seguinte se apresentam para o pároco e participam de missa. Ficarão um dia e uma noite na cidade. O retorno para casa é menos sacrificante. Os muleiros viajam de van e os animais voltam em caminhão.  

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