08 de julho de 2026

Ano Novo e a Mãe de Deus


| Tempo de leitura: 3 min

Ano Novo, Vida Nova, é como costuma-se dizer. Surge também um pensamento preocupante: como será minha vida ao longo deste ano? Ninguém sabe, somente Deus, mas cheios de esperança dizemos: “Feliz Ano Novo!”. Eu, particularmente, gosto de desejar “Abençoado Ano Novo!”.

O ano de 2011 chega e a liturgia da Igreja nos ajuda a ter alegria serena, pois no primeiro dia nos dá sua Mãe, Maria, que é mãe de Deus, nossa mãe, rainha da Paz! Com Maria transmitimos Paz! Na missa deste domingo escutaremos trechos da Palavra de Deus que contém ânimo, coragem para todos nós. E devemos ouví-las e valorizá-las.

A primeira leitura, do livro dos Números, nos apresenta o texto da bênção usado pelos sacerdotes na conclusão das funções litúrgicas no templo. Todos as vezes que “abençoamos” alguém, estamos manifestando um desejo, um voto, para que aconteçam coisas boas na vida daquela pessoa.

A leitura diz: “que Deus te abençoe e proteja; que Deus faça resplandecer sua face sobre ti e te seja propício; que Deus dirija seu olhar para ti e te conceda a paz”. Bênção é, portanto, sinônimo de vida, de liberdade, de fecundidade e, também, de paz. E Deus, nosso Pai, é o grande parceiro do ser humano na realização dessas expectativas, pois ele vem ao nosso encontro com a sua bênção.

Desde a criação do homem e da mulher, Deus nos abençoa. O grande suporte da bênção divina é a fecundidade. De Deus não nasce a destruição do ser humano e sim a prosperidade. Deus está sempre conosco. Sua presença é de alegria, coragem e esperança. Ele nos protege, nos defende, é sempre benevolente e nos encaminha rumo ao futuro feliz. Ao mostrar seu rosto, Deus comunica a plenitude dos bens, sintetizados na paz, na felicidade completa.

A segunda leitura é um trecho da carta que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos que viviam na Galácia. Ali, as comunidades corriam sérios perigos de perder o sentido do ser cristão, pois muitos deixavam-se influenciar por falsos missionários. O apóstolo relembra-lhes o que anunciou a cada um: Deus é Pai de todos os homens!

Pai nosso
E é por essa razão que a oração do Pai-Nosso tem sentido no coração daqueles que aceitaram Jesus e o seu Evangelho e receberam seu Espírito no Batismo. Se somos filhos de Deus, se possuímos o seu Espírito, então também somos irmãos uns dos outros. Deus não é nosso patrão, mas, nosso Pai! É outra boa notícia que recebemos no primeiro dia de 2011. Nossa fé precisa ser “adulta”.
O Evangelho deste dia é a continuação do trecho lido na noite de Natal. Perto do berço de Jesus estão de novo os pastores, que na sociedade judaica eram classificados como pessoas impuras e desprezadas. Seguindo o anúncio recebido do céu, eles vão até Belém, encontram José, Maria e o Menino deitado na manjedoura. Numa criança, um ser fraco, necessitado de ajuda e proteção, reconhecem o Salvador.
Para alimentar a nossa fé, buscamos com frequência sinais extraordinários, desejamos ver milagres, queremos assistir a “aparições”. Mas o fato a que devemos nos atentar é que a verdadeira fé não precisa dessas frágeis escoras. Os pastores nos oferecem uma bela lição de vida: diante de Jesus continuam observando, pasmados, entusiasmados, a obra maravilhosa que Deus realizou para os homens. A seguir, correm para anunciar aos outros a própria alegria e todos os que escutam também ficam admirados.

contemple a vida
A lição de vida oferecida pelos pastores é a seguinte: precisamos parar para nos alegrar, para contemplar, deslumbrados, tudo que Deus fez por nós. A vida é correria, estamos sempre cansados e não desfrutamos do essencial. É necessário parar, rever e viver mais e melhor.
O exemplo de Maria é grandioso: “tudo que diziam sobre seu filho, ela guardava no seu coração”. Maria não se porta como nós que, muitas vezes, nos deixamos perturbar por qualquer contrariedade insignificante ou por qualquer novidade da qual tomamos conhecimento.
Maria é o modelo de “serenidade” que devemos buscar sempre. Seu filho foi um homem de paz, sempre manifestou palavras e gestos de amor, de reconciliação, de ajuda para os outros. É assim que devemos iniciar e viver 2011.

DE CORAÇÃO
Abençoado Ano Novo para todos!

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br