08 de julho de 2026

Chuvas castigam e causam morte


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NEGATIVA - Padre José Afonso Dé concede entrevista e diz que nunca assediou quem quer que seja, ‘homem ou mulher’

JANEIRO
As chuvas que castigaram Franca por alguns meses (e depois deixaram a cidade, que viveu meses de estiagem e baixa umidade do ar) causaram prejuízos em janeiro. No dia 7, uma pancada que durou menos de trinta minutos foi o suficiente para causar transtornos. No dia 15, a chuva deixou como saldo casas destelhadas, muro caído e ruas intransitáveis no Prolongamento do Jardim Santa Bárbara. Apesar do susto, ninguém se feriu. No dia seguinte, um temporal no início da noite voltou a castigar os francanos, deixando um rastro de destruição e morte. Os bairros da região Oeste, onde moram cerca de 80 mil pessoas, foram os mais atingidos. Pelo menos nove casas foram danificadas. Os ventos fortes ainda derrubaram três postes de luz e telefone e uma árvore, deixando os moradores de um bairro sem comunicação e energia elétrica. Na Vila São Sebastião, Dalva Arango Lopes escorregou em um corredor sem saída dentro de sua casa, caiu na água empoçada e se afogou.

No final do mês, a ação de assaltantes levou terror e pânico a famílias francanas. Entre os dias 23 e 28, foram treze assaltos. No primeiro fim de semana, entre os dias 23 e 24, mais duas famílias foram vítimas deste tipo de ocorrência. Uma delas foi atacada por oito homens encapuzados que invadiram um apartamento no Jardim Milena. Na outra ocorrência, funcionários de uma fazenda também foram rendidos por bandidos armados e obrigados a entregar dinheiro. Entre os dias 27 e 28, bandidos armados fizeram 11 vítimas em oito assaltos entre as 7h30 de quarta-feira e as 14h30 de quinta, a maioria à luz do dia.

No dia 11, o novo bispo de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, chegou à cidade. Tomou posse em grande evento no dia 21 de fevereiro, no Poliesportivo.

O estudante de Direito Caio Meneghetti Fleury foi preso na tarde do dia 13 em uma chácara no Condomínio Vale do Sol, na Rodovia Rionegro e Solimões. Caio responde a processo de tentativa de homicídio por ter atropelado o frentista Carlos Alaerte Silva, no dia 12 de fevereiro de 2008, em um posto de combustíveis de Ribeirão Preto. Um vendedor de calçados de Franca foi preso pela Polícia Federal, no dia 21, acusado de pedofilia. Ele divulgava material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes pela Internet.

FEVEREIRO
O que era para ser uma festa terminou em tragédia: a polícia de Franca, durante os cinco dias de festejos carnavalescos, registrou três acidentes com vítimas fatais no perímetro urbano. Quanto aos desfiles em Franca, a escola de samba Filhos de Gandhi foi a campeã do Carnaval de Rua.

O ex-prefeito de Franca, Gilmar Dominici (PT), foi condenado no dia 11 pelo Tribunal de Justiça por ter participado da venda de terrenos do Dinfra, no Distrito Industrial, sem licitação e por preços abaixo da avaliação de mercado. Já o prefeito de Ibiraci (MG), Ismael Cândido (PT), ao lado de seu vice, foi cassado no dia 9 e teve que deixar a administração municipal. Os dois são acusados de compra de votos pelo ex-prefeito Tonin Garcia (PMDB). A sentença foi proferida pelo juiz da Comarca de Ibiraci, Fábio Gameiro Vivancos. Ismael Silva Cândido retornou à Prefeitura em grande estilo no dia 23. Com a liminar que o reconduziu ao cargo debaixo do braço, ele chegou a Ibiraci de helicóptero.

Reportagens publicadas nos dias 11 e 12 de fevereiro pelo Comércio, trouxeram à tona a dura realidade de doze pessoas que moravam no subsolo de um prédio inacabado da Avenida Major Nicácio, Bairro São José, local conhecido como “piscinão”. A matéria retratava as condições sub-humanas nas quais elas viviam. Todos foram retirados dali e encontraram abrigo debaixo de um viaduto, de onde também foram desalojados. No dia 15 de março, seis caminhões carregados de terra, dois tratores, 13 funcionários da Colifran, oito policiais militares em quatro viaturas e dois guardas civis municipais deram um basta à novela envolvendo o “piscinão”. O local foi drenado e totalmente aterrado pela Prefeitura Municipal.

MARÇO
O mês de março, em Franca, foi sacudido pela denúncia de abuso sexual contra o conhecido padre Dé (José Afonso), vigário na Paróquia São Vicente de Paulo, no Tropical. No dia 24, quatro meninos com idades entre 13 e 16 anos, moradores nos bairros Leporace, Portinari e Pinheiros, na zona norte de Franca, denunciaram o padre Dé e outros dois religiosos que trabalhavam com ele por abuso sexual. Os três adolescentes (de 13,14 e 16 anos) afirmam terem se encontrado com Padre Dé na casa dele uma vez por semana durante dois meses. Segundo os jovens, o religioso passava a mão em suas pernas e órgãos genitais. Nenhum deles disse ter mantido relações sexuais com o padre. Seis dias após a denúncia, padre Dé concedeu entrevista ao GCN Comunicação. Ele confirmou que conhece os garotos autores da denúncia inicial e disse não saber os motivos que os levaram a fazer tais relatos. Negou envolvimento sexual de qualquer tipo, em qualquer época e com qualquer pessoa – homem ou mulher. Em abril, a reportagem do Comércio descobriu que o vigário teria sido acusado de assédio sexual também no Interior do Paraná e de Minas Gerais, onde atuara antes de chegar a Franca. A CPI da Pedofilia do Senado, instaurada para investigar denúncias como a feita contra padre Dé, apresentou na manhã do dia 16 de dezembro seu relatório final sem fazer nenhuma menção à cidade de Franca ou ao nome do padre José Afonso Dé.

No dia 13, o Comércio divulgou que as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde investigavam a morte de 43 crian-ças na Santa Casa de Franca entre dezembro de 2008 e dezembro de 2009. A suspeita de que todas tenham sido vítimas de uma infecção hospitalar causada pela bactéria Klebsiella, que provoca pneumonia, insuficiência respiratória e atinge o sistema urinário, foi confirmada dias depois: a bactéria matou 19 recém-nascidos em 2009 e mais 9 em 2008. Por causa disso, a internação na UTI Infantil da Santa Casa foi limitada e várias outras medidas tomadas para evitar novas infecções.