09 de julho de 2026

Mundo nervoso


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Hesitei ao titular o presente artigo. No entanto, sei que os leitores que ainda me suportam com paciência saberão escolher entre as opções que tive. Mundo violento, mundo raivoso, mundo triste, mundo deseducado, mundo carente, mundo permissivo, mundo inóspito... E tantas eram as opções a lamentar, que me decidi por abrandar um pouco a expressão.

Aqueles que valorizam a herança recebida do passado quando a gentileza administrava atitudes de pessoas educadas, se questionam a cada momento sobre o que iremos passar ao futuro. Se. de um lado, tivemos que adotar alguma reforma de procedimento, o fato não indica estarmos em conformidade com a balbúrdia na educação circulante nas diversas camadas da sociedade.

Pode ser démodé hoje em dia, ler Marcelino de Carvalho em suas obras de etiqueta, apreciar o estilo fino de Jacinto de Thormes ou Tavares de Miranda, Entretanto, navegar no despolido cotidiano é extremamente desconfortável nesse ineducável celeiro humano. Para cumprir com o dever da verdade, saliento: se pensam que a grosseria e falta de requinte grassa mais na periferia; onde a cultura, por óbvio, assume tenuidade, enganam-se. Em referido meio social as dificuldades e dependências ensinam maior solidariedade às pessoas, nivelando-as até no tratamento respeitoso.

O mal maior se concentra em ambientes de médio a luxuoso porte e em pessoas, muitas vezes com nível universitário, que demonstram desconhecer regras de educação. Não é raro ocorrer em edifícios residenciais onde habitam os privilegiados, encontros de flagrante descortesia nos elevadores, quando cumprimentos deixam de ser respondidos.

O mau humor domina espaços e criaturas empenhadas em vergastar a vida e alma de si e do próximo. Receber uma saudação, por refinamento, impõe uma resposta com a dignidade de quem a proferiu com prazer.

A festa do casamento exibia entre elas, lindas mulheres, os mais caros modelos de alta costura. Entre eles, o social fino em maioria, mesclado com manga curta e sandálias de outros. A mesa de doces finos inspirou enchimento de bolsas e adoçou bolsos de paletós masculinos. A entrada ao salão de festa mostrou invasão temerosa para os mais fracos.

Que saudades eu tenho de quando se abria portas de carros para damas, de quando se abria espaço para sua passagem, de quando se descobria em saudação a alguém, de quando era comum ceder lugar a idosos e damas. Elas, hoje são minoria, mas ainda existem. O mundo raivoso é muito econômico em relações humanas. Já não se diz bom dia ou boa noite, aboliram o “por favor’, e “muito obrigado”. Passam por cima sem se desculpar como se fora direito.

Saint-Exupery cunhou um pensamento: “Os homens compram tudo pronto nas lojas... Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos”. Ao saudá-los pelo Ano Novo, concito-os a formarem comigo em 2011 a grande frente formadora de amigos educados.

Garcia Netto
Jornalista