08 de julho de 2026

Crônica de Natal


| Tempo de leitura: 4 min

Na Vila Peixe (próxima ao antigo mercado municipal, hoje terminal de ônibus urbanos) ao chegar a época do Natal, a ‘molecada’ ficava ansiosa esperando pela chegada do Papai Noel, todos se uniam e se divertiam de verdade. Era tradição

Durante boa parte do ano todos utilizavam da criatividade no intuito de superar as dificuldades financeiras da época e proporcionarem alguma coisa de diferente para aquelas crianças que começavam a trabalhar muito cedo no auxílio do sustento familiar.

Em um daqueles anos, porém, a imaginação foi bem longe. Meu tio combinou com meu pai que na noite de Natal se fantasiaria de Papai Noel e, quando os sobrinhos estivessem dormindo, entraria pela janela da sala e deixaria os presentes junto à árvore de Natal. A roupa, meu tio já havia arrumado emprestado de um ex-Papai Noel, diga-se um pouco maior e mais gordo, mas tudo bem, a representação seria por poucos minutos. Meu tio deixaria a roupa escondida em uma ‘datinha’ (pequeno terreno) na esquina da Rua Couto Magalhães e lá, meu tio trocaria na hora combinada.

A meu pai caberia deixar a janela da sala aberta, amarrar nosso cachorrinho ‘Tostão’ e evitar que alguém pudesse perceber quem era o Papai Noel até que ele já estivesse indo embora. Os irmãos estavam eufóricos, pois seria uma alegria enorme proporcionar um Natal diferente para as crianças (filhos e sobrinhos). Naquela época não era qualquer criança que tinha o privilégio de receber Papai Noel em sua casa na noite de Natal.

Ocorre que nem tudo saiu perfeitamente como o planejado. Na noite de Natal choveu bastante e a fantasia, escondida no terreno, ficou encharcada. Meu tio, sempre muito prático, rapidamente torceu a roupa retirando o excesso de água e a vestiu. Como era uns números maiores que seu manequim e ainda molhada, imaginem como ficou. Para ter acesso à janela da casa teria que subir e pular um muro vizinho. As construções de muros, na época, eram rudimentares e quase não levavam cimento e ferragens. O muro, portanto, ficou bastante abalado quando foi escalado pelo “Papai Noel”, em função do peso dele e das chuvas. Tostão, vendo aquela figura horrível em cima do muro, não parava de latir. Nós já estávamos todos acordados e com medo, mas papai não nos deixava sair das camas.

A árvore de Natal estava maravilhosa, toda iluminada e decorada com diversos tipos de enfeites. Papai Noel deixou os presentes e colocou os doces nas meias que estavam penduradas em uma estante. Lá do quarto nós ouvíamos o sininho e a ansiedade de abrir os presentes aumentava a cada minuto, além de nos sabermos privilegiados com a visita do próprio Noel.

Meu pai havia acabado de nos liberar para sairmos do quarto quando, de repente, lá no quintal, ouvimos uma barulhão de coisas caindo e, em meio aos sons, alguns gemidos de dor. Corremos à janela para ver o que estava acontecendo. Quando abrimos, vimos uns três metros do muro totalmente caídos e o Papai Noel, vagarosamente, tentando ir embora ‘manquitolando’; e, para desespero do meu pai, vagaroso demais. Minha irmã ainda gritou: “Tchau Papai Noel. Volte no ano que vem!”.

Debaixo de um forte chuvisqueiro o bondoso Papai Noel virou-se, deu um tchauzinho. Sem demora, voltou-se para a frente e, manquitolando continuou seu caminho.

Em sua inocência, minha irmã ainda disse: “mãe, acho que neste Natal muitas crianças vão ficar sem seus presentes”. E por quê?, perguntou mamãe. “Olha lá como Papai Noel está mancando e gemendo de dor”.

O pior aconteceu no dia seguinte. Minha tia não participou do almoço familiar de Natal. Tinha ‘brigado’ com meu tio que havia saído na noite anterior sem dizer onde iria, voltado tarde, molhado, todo machucado e esfolado. Para ela, ele tinha ido para uma ‘farra’...

AINDA A REFORMA POLÍTICA
O voto do eleitor deve ser facultativo e não mais obrigatório. Apesar de muitos discordarem, a verdade é que o voto obrigatório não é democrático. Dos mais de 190 países do mundo, em apenas 19 dos chamados ‘países do terceiro mundo’, o voto ainda é obrigatório.
Queiram ou não, infelizmente, quem determina as diretrizes políticas de nosso País são as classes menos esclarecidas, facilmente manipuladas por pesquisas e marketing político; que vendem seus votos e os de seus familiares em troca de cestas básicas, camisetas, próteses bucais, promessas de emprego etc.

26 DE DEZEMBRO NA HISTÓRIA
Em 26/12/2004 ocorreu uma das maiores tragédias naturais de nossa história: o terremoto que sacudiu o sul e sudeste da Ásia, matando mais de 250 mil pessoas. Foi mensurado em 8,9 graus na escala Richter e liberou energia equivalente a 60 bilhões de toneladas de TNT. Somente a título ilustrativo isso equivale a aproximadamente 5 milhões de bombas atômicas iguais a que atingiu a cidade de Hiroshima, no Japão, em agosto de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.

PARA REFLETIR
Estamos atravessando uma época complicada da vida em sociedade, onde as exigências pessoais e do trabalho nos empurram pra lá e pra cá, sempre em busca de conciliar horários, satisfazer agendas, buscar resultados financeiros para arcar com despesas supérfluas que a vida moderna nos impõe, além de cumprir compromissos familiares etc.
O momento é oportuno para utilizarmos uma conhecida metáfora que diz que o ser humano está ‘queimando a vela pelas duas pontas’ e assim, mais rapidamente, buscar o seu fim. Precisamos respeitar o ritmo de nosso corpo e controlar essa ‘vida louca’ que estamos levando.

 

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -

toninhomenezes@comerciodafranca.com.br