Mais de trinta crianças estão acampadas na Fazenda Olhos D’Água. Elas acompanham o sonho dos seus pais de conseguir, como eles dizem, “um pedaço de terra” para plantar. Valdete José Souza, o Sabiá, 58, arrendava sítio em Pontal (SP). Antes disso, foi catador de papel. Há dois anos foi convidado a integrar o Movimento dos Sem-terra.
Sabiá é um dos que ocupam a fazenda junto com três filhos menores de idade e não pensa em deixar o movimento. “Já estou uma pessoa cansada, não tenho mais condições de dar uma casa para meus filhos. Estando aqui, se eu conseguir, vamos comer o que produzir da terra”.
Sônia da Silva também está há dois anos no MST. Morava em Franca, na Vila São Sebastião, em casa alugada e trabalhava como sapateira. Hoje está no acampamento com seu filho de 15 anos. “Aqui é muito sofrido, mas tenho esperança de conseguir minha terra”.