08 de julho de 2026

Lucros e perdas


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Ao final de cada ano, toda empresa regularmente constituída no Brasil tem o dever legal de levantar um balanço patrimonial para apurar a ocorrência de lucros ou perdas. Através desse balanço, sócios e administradores da empresa têm condições de avaliar o desempenho do negócio naquele período que se encerra e a administração fazendária, condições para apurar a carga tributária devida pela unidade empresarial.

Penso que todos nós, pessoas físicas, também devíamos levantar um balanço das nossas vidas à cada no que está por se encerrar. Não apenas um balanço estritamente financeiro, mas principalmente ético e moral. No que, efetivamente, evoluímos e no que ainda precisamos melhorar. Como foi o porfiado combate entre o nosso ser físico e o nosso ser espiritual?

Soubemos praticar a solidariedade desinteressada? Cultuamos a prevalência do espírito sobre a matéria? Fomos fraternos e solidários? Realizamos tudo que podíamos realizar, seja na família, no trabalho, na sociedade, no ambiente religioso? Enfim, deixamos registrados positivamente nas outras pessoas a nossa presença? Você tem corrido atrás dos seus legítimos sonhos? ‘Viver é melhor que sonhar’! Será que estamos aproveitando bem esta existência que nos foi generosamente concedida pelo criador? Cuidamos bem da nossa saúde física, emocional, psíquica e espiritual? Será que não pecamos pela gula, pela avareza, pela luxuria, pela inveja e pelo orgulho? Fomos maledicentes? Deixamos de semear a concórdia?

Trabalhamos para o necessário ao nosso sustento e de nossos familiares, mas também e paralelamente laboramos em benefício de nosso semelhante, de maneira desinteressada e sem qualquer recompensa financeira? Será que não medimos os atos do outro com uma régua maior do que aquela que medimos a nós mesmos? Exercitamos, com a intensidade sugerida pelo Mestre Maior, a difícil tarefa de perdoar os nossos semelhantes? Fizemos do amor e da caridade as nossas bandeiras e metas prioritárias? Como lidamos com os nossos monstros interiores: os medos, as perdas, as desilusões e principalmente as nossas frustrações?

Depois de respondidas essas e outras indagações, passemos então a sopesar as respostas positivas e as negativas, obtendo-se, assim, o resultado. Se mais respostas positivas, o ano foi proveitoso e lucrativo. Ao contrário, se foram mais negativas, experimentaremos prejuízos físicos e emocionais.

As empresas comerciais, quando acumulam perdas por exercícios seguidos, a consequência natural é a falência, a bancarrota. Nós, na mesma medida, quando acumulamos mais ações negativas do que positivas, as consequências são os males físicos, psíquicos, emocionais e espirituais, pois a ‘Lei de Causa e Efeito’ é implacável. Temos que, necessariamente, ceifar aquilo que plantamos.

Confesso que tenho lutado – e muito – para melhorar a minha contabilidade, mas, infelizmente, ainda tenho estado no vermelho. Sei que um novo ano se avizinha e com ele, novas oportunidades para se tentar fazer a coisa certa. Obviamente não basta a vontade. É fundamental a ação. Vontade sem ação é anímica e anódina. Portanto, para o novo ano, mãos a obra. Feliz Natal.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca