11 de julho de 2026

Mãe culpa médico de Patrocínio por morte de bebê durante parto


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INVESTIGADO - O médico José Mauro Barcellos, prefeito de Patrocínio, está sendo investigado pela morte da criança

A dona de casa Vera Lúcia Pereira, 29, culpa o prefeito de Patrocínio Paulista, José Mauro Barcellos, que também é médico e exerce a profissão de ginecologista obstetra, pela morte de seu primeiro filho, durante parto realizado na Santa Casa da cidade. A mulher disse que o profissional optou pelo parto normal e que este procedimento teria provocado a morte do bebê por asfixia. Vera registrou ocorrência policial que está sendo investigada na Delegacia Seccional de Franca. A polícia apura a denúncia de homicídio culposo (sem intenção de matar) contra o ginecologista. Mauro recusou-se a gravar entrevista, alegando ainda não ter sido notificado pela Polícia Civil, mas disse ter seguido todo o procedimento dentro da conduta médica. 

O inquérito policial foi aberto na Seccional de Franca devido ao cargo de prefeito exercido pelo médico, que ainda não foi intimado para prestar depoimento. De acordo com o delegado que cuida do caso, Daniel Paulo Radaelli, o processo não tem prazo definido para conclusão.

A morte do bebê ocorreu em outubro deste ano. A dona de casa conta que sua gestação transcorreu dentro da normalidade. Todo pré-natal foi realizado por Barcellos. Ela disse que, antes de dar à luz, pediu para o médico que realizasse a cesárea. “Eu sentia que ela (o bebê) não estava encaixada para um parto normal. Eu cheguei a comentar isso durante o último pré-natal que fiz, mas ele falou que minha filha parecia estar posicionada. Ele não me deu uma certeza”, disse a dona de casa.

Com nove meses de gestação e em trabalho de parto, Vera Lúcia entrou na unidade hospitalar alegando estar com fortes contrações. “Minha filha estava perfeita. Eu entrei com o coração da minha filha batendo e sai com minha filha dentro de um caixão. Eu estava no meio de três profissionais e ninguém viu que eu precisava de uma cesárea”. Vera disse que teve seu sonho de ser mãe interrompido. Ela afirmou que, durante dois anos, se preparou para ter o bebê e estava ansiosa com a chegada da pequena Lívia, nome escolhido por ela e pelo marido Ricardo Figueiredo, 34, analista de sistemas. “Preparei tudo com amor e carinho. No último dia eu estava tão feliz, mas infelizmente sai de lá com minha filha morta”.

TUMULTO
A ocorrência envolvendo o médico e a paciente ganhou um novo episódio na tarde de ontem. Vera foi à Santa Casa de Patrocínio, segundo ela, questionar o médico sobre a morte do bebê. Ela teria invadido o consultório do médico e iniciado uma discussão com ele. Durante o tumulto, o próprio prefeito teria solicitado a presença da Polícia Militar, que conduziu a dona de casa para delegacia de Franca. “Eu fui lá como uma mãe desesperada. Ele já se levantou e veio para cima de mim com toda agressividade, pegando no meu braço, e mandou eu sair de lá, me empurrando e colocando para fora da sala. Ele mandou chamar a polícia para mim, dizendo que eu era louca”, disse Vera.

O delegado que cuida do caso, Daniel Paulo Radaelli, afirmou que abriu inquérito para apurar a morte do bebê como homicídio culposo e aguarda laudos e depoimentos de novas pessoas envolvidas no ocorrido. Somente após a chegada do laudo conclusivo do IML (Instituto Médico Legal), apontando as causas da morte da criança, é que Barcellos será intimado para prestar depoimento. “Estamos aguardando o laudo necroscópico feito na criança recém-nascida. Vamos ouvir todas as pessoas envolvidas no parto para definir uma possível culpa, já que estamos investigando um homicídio culposo. Somente depois deste trâmite iremos ouvir o acusado, mas isso tudo será o mais rápido possível”, disse Radaelli.