Parece não haver como associar os substantivos que dão título a este escrito. O grande efeito em cascata atingirá o Brasil em breves dias, migrando para as assembleias, câmaras de vereadores, categorias do judiciário e outros graças à diligência em causa própria de nossos congressistas, sem alarde, no apagar das luzes de 2010.
Minha repugnância embarca com eles no aumento de salários concedidos a si próprios – 62% – maior que remunerações de importantes países desenvolvidos. Estendeu-se o beneficio a ministros, presidente e vice.
É preciso que a nação atente para o fato de que a aprovação não inseriu nenhum corte aos vergonhosos achegos já percebidos há anos. Nossa presidente, em fala recente, frisou: “em nosso ministério, somente entrará ficha limpa’. Constata-se agora que a equipe continua com raras mudanças, podendo-se também verificar a cor de cada ficha. Por repugnar-me, mudo de assunto.
Ocupar-me do amor é oportuno, especialmente por estarmos às vésperas de uma importante celebração, a maior da cristandade: o Natal. O recolhimento, reflexão sobre o comportamento atual da sociedade, a urgente necessidade de fortalecer a família, uni-la em torno da sagrada fé e esperança, é função inteligente das criaturas humanas.
Para minha saudação de Natal e homenagem ao amor e sabedoria do homem, usarei frases de Mário Quintana.
“O luar é a luz do sol, que está sonhando...”. Permitamos que o brilho e luz do sol engravidem as nossas almas de sabedoria, criatividade, carinho e amor ao próximo. Adotemos o repouso da lua, sua tranquilidade e paz, vivificando nossos alentos.
“Há sempre, afastada das outras, uma nuvenzinha preguiçosa que ficou sesteando no azul”. O afastar-se do próximo não deve ter sido a proposta de Deus ao desenvolver o ser humano, criado para viver em grupo de ajuda mútua.
“Em que estrela amor, o teu riso estará cantando?”. Não importa em que estrela esteja nosso canto, tampouco importa quem seja o alvo de nosso riso, o cantar constante sempre revela alegria, e a resposta ao riso é amor.
“E eis que, tendo Deus descansado no sétimo dia, os poetas continuaram a obra da criação”. O que me parece ter querido exemplificar Quintana? É que, aos poetas, caberia descrever em sua magistralidade a beleza da criação. O homem e mulher para que se amem, a velocidade e leveza do mimoso colibri, as águas correndo nos rios, as cachoeiras em véus transparentes no espargir fumaça molhada na relva à margem, as cores e fragrância das flores e sublimidade do sentimento de amor.
Finalizando: com fé, dedicação e esperança, cultuemos o que Jesus nos ensinou: Amai-vos uns aos outros. Cantemos o Natal: “Pai Natal irá trazer/ Brinquedos para nós./ Para a Zeca uma boneca/ Para o Zito um apito/ Uma bola para saltar/ É o que quer o Baltazar”. De minha parte, peço a São Nicolau que lhes conceda muito bom Natal.
Garcia Netto
Jornalista