08 de julho de 2026

O domínio do crack


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Pesquisa da CNM (Confederação Nacional de Municípios) divulgada ontem mostra que o consumo de crack já se alastrou pelo País. Levantamento feito com 3.950 cidades aponta que 98% dos municípios pesquisados enfrentam problemas relacionados ao crack e a outras drogas. De acordo com o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, falta uma estratégia para o combate ao uso do crack em todo o País. Os números se tornam ainda mais preocupantes quando se sabe que apenas 14,78% dos municípios dizem contar com um Caps (Centro de Atenção Psicossocial), que oferece atendimento à população e acompanhamento clínico de pessoas com transtornos mentais, entre eles usuários de drogas. Entre estes está Franca, onde o Caps funciona normalmente, mas com uma estrutura insuficiente para atender uma população de 300 mil pessoas. Quando o assunto é a existência de um programa municipal de combate ao crack, 8,43% das cidades alegam possuir alguma iniciativa dessa natureza. Mesmo sem um programa definido e com a falta de apoio das demais esferas de governo, 48,15% dos municípios realizam campanha de combate ao crack, aponta a pesquisa.

A CNM destaca como um dos agravantes da proliferação do consumo da droga - que atinge principalmente crianças e adolescentes - a falta de uma integração entre União, Estados e Municípios. Apenas neste ano o Estado de São Paulo criou centros de atendimento a viciados, ao mesmo tempo em que o governo federal apresentou um programa similar tanto para usuários quanto para familiares. Estas iniciativas, é fácil perceber, ainda não são capazes de fazer a diferença. Ao longo dos anos, entidades sem fins lucrativos sobreviveram à custa dos esforços de seus criadores e do auxílio da população - inclusive sem contar com a destinação de recursos por parte do Poder Público. E continuam mantendo até hoje uma atuação bastante destacada ao tratar usuários de entorpecentes. Diante deste quadro, Paulo Ziulkoski critica o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, lançado pelo governo federal em maio deste ano. Segundo ele, o programa ‘não aconteceu; nenhum centavo chegou’. O presidente da CMN, porém, evita taxar o programa de ‘eleitoreiro’.

Enquanto as autoridades não passarem a considerar o vício em drogas (principalmente o barato e mortal crack) como um problema sério de saúde pública, que precisa ser enfrentado com vigor - e apenas campanhas publicitárias na TV não serão suficientes -, ainda continuaremos a ver crescer o número de vítimas deste mal que atinge não apenas o seu usuário, mas que afeta familiares e pessoas próximas. O consenso de que alcoolismo e tabagismo são doenças que precisam ser tratadas, deve ser estendido ao vício do crack e de outras substâncias viciantes. Se a situação se mantiver como agora, o futuro da atual geração estará seriamente comprometido, com reflexos terríveis para toda a sociedade.