10 de julho de 2026

Doenças afastam 66 professores por mês


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ANSIEDADE - O professor Sílvio Cezar Peroni ao lado do quadro-negro de uma sala de aula na Escola “Antônio Sicchierolli”. Ele acaba de retornar de um afastamento médico por ansiedade e pânico. Há 20 anos, Sílvio leciona cerca de 70 aulas por semana

O afastamento de funcionários por problemas de saúde na Secretaria Municipal de Educação preocupa. Só no último mês de novembro, 79 professores estiveram distantes das salas de aula por causa de depressão, lesões por esforço repetitivo (LERs) e problemas na coluna, em sua maior parte. A média mensal de docentes licenciados da rede municipal de ensino é de 66, número que corresponde a 7,5% do total. Em 2009, a média registrada foi de 68. Os dados são da Secretaria Municipal de Administração. O gasto anual da prefeitura com a contratação de professores substitutos chega a R$ 2 milhões por ano.

A maior parte dos casos de afastamento está relacionada a sintomas de depressão e problemas psicológicos. Segundo o secretário de Administração Jerônimo Sérgio Pinto, os profissionais recém-formados são os que mais sofrem. “Enfrentar uma sala de aula não é simples, ainda mais para professores novos. Eles não estão acostumados a lidar com os alunos e se estressam além do normal”.

Apesar dos mais novos sofrerem mais, o índice de afastamento entre professores acima dos 50 anos também é alto. “As pessoas, nesta faixa etária, já estão desgastadas física e psicologicamente. Normalmente, elas precisam de alguns meses para se recuperar”.

Tânia Regina Machado é professora há 22 anos e se afastou do trabalho no último mês de outubro. Ela sofre depressão e toma medicamentos controlados. “O cotidiano de uma escola é muito difícil. As crianças pequenas precisam de cuidados a todo momento. Além disso, tenho problemas em casa que me afetam bastante”, disse a professora, que pretende voltar às atividades letivas em fevereiro do ano que vem.

A Prefeitura de Franca desenvolve projetos de treinamento e prevenção de problemas relacionados à saúde dos professores, mas, de acordo com o secretário de Administração, os resultados não podem ser previstos. “Muitos problemas surgem de repente, como, por exemplo, o estresse. Vários professores têm dois empregos e isso prejudica o seu emocional”.

O professor de matemática Sílvio Cezar Peroni, 46, leciona há 20 anos e, desde que começou a dar aulas, trabalha durante os três turnos do dia. No total, são cerca de 70 aulas por semana. Ele acaba de retornar de um afastamento por ansiedade e pânico. Sílvio diz não saber se está realmente estressado, mas acredita que o excesso de trabalho é um fator que prejudica sua saúde. “Todos os meus dias são muito corridos. A rotina de um professor é desgastante. É muito difícil cuidar de uma sala de aula com 40 alunos. Já lido com essa situação há duas décadas”, disse.

Segundo Jerônimo, o número de professores afastados na cidade precisa ser melhor controlado. “O índice registrado é próximo ao da rede privada de ensino, mas ainda assim o nosso principal objetivo é cortar gastos com a contratação de substitutos”.