O rompimento da adutora da Sabesp no sistema Canoas, que comprometeu o abastecimento de água para 80% da população francana (cerca de 90 mil residências foram afetadas), ontem, é mais um alerta a respeito da vulnerabilidade que a rede tem enfrentado nos últimos anos. Em julho de 2008 a adutora que traz água para Franca, também do Rio Canoas se rompeu. Na ocasião, a tubulação foi danificada no Sítio São Paulo, na divisa de Franca com Claraval (MG), e causou um desabastecimento em Franca, que durou quase uma semana. Embora o abastecimento tivesse sido restabelecido no começo da noite de ontem em muitos bairros, os localizados em pontos mais altos - como Jardim Aeroporto e Parque Leporace - ainda sofriam com as torneiras secas. A situação deverá ser normalizada apenas na manhã deste sábado.
Deve-se refletir com bastante atenção a respeito do problema, uma vez que fica patente a inexistência de um chamado ‘Plano B’ para evitar a falta de água a cada acontecimento fortuito que prejudique o abastecimento de grande parte da cidade. Franca - assim como muitos municípios do País - não pode contar apenas com um sistema que hoje não se mostra capaz de suprir as necessidades de todo o seu povo. A Sabesp precisa encontrar uma solução. Somente o uso racional da água, pregado pela empresa, não será capaz de reverter este processo e indefinidamente prover Franca de um recurso cuja finitude é de conhecimento de todos. Sua escassez, já vaticinada por especialistas, pode trazer sérias consequências à própria existência da vida no planeta. Mas o que se vê, de forma geral, é uma despreocupação quanto a possibilidade da água acabar. Para muitos, os apelos para o uso criterioso e com responsabilidade é apenas um discurso alarmante de ambientalistas. Mas nada disso será suficiente se a empresa que cuida da distribuição de água e do saneamento básico não voltar a investir na melhoria do sistema.
Há cerca de 30 anos, a rede de Franca era considerada uma das melhores do País: nos anos 1980, quase 100% do município tinha ligações de água e esgoto. Hoje, esta realidade já não existe mais. E, para deixar o quadro ainda mais preocupante, os problemas verificados no abastecimento se repetem. Embora a própria Sabesp considere que os problemas na rede de abastecimento não tenham nada a ver com o desgaste dos equipamentos, como as bombas e a tubulação (com cerca de 26 anos, embora há outras mais antigas ainda, remontando a meados do século passado), o que se percebe é que falta investimentos para que outras fontes de água sejam exploradas e toda a rede seja modernizada. Somente desta forma é que o francano poderá se tranquilizar quanto ao abastecimento. Do contrário, estaremos fadados a viver com a ameaça do desabastecimento total.