A soma de todos os serviços e bens produzidos em Franca chegou a R$ 3,7 bilhões. Os valores se referem à mais recente pesquisa sobre o PIB (Produto Interno Bruto) dos municípios brasileiros divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e têm como referência 2008. Se comparado a 2007, o crescimento ultrapassa os R$ 250 milhões. A renda per capita do francano, no mesmo ano, foi de R$ 11 mil.
Na opinião do secretário municipal de Finanças, Sebastião Ananias, o crescimento do PIB num ano em que o País vivia em plena crise financeira internacional poderia ser motivo de comemoração. Mas não é. Para ele, o aumento nada mais é que o reflexo da inflação do período. “Não tivemos um crescimento real se você levar em conta que a inflação foi de 6%. Portanto, o PIB de 2008 é praticamente o mesmo de 2007 em poder de compra. Mudou-se apenas o número”, disse.
Apesar de um PIB maior resultar em mais arrecadação tributária, o secretário disse que a fatia para a cidade ainda é pequena. “Aumenta-se a arrecadação sim, mas nem sempre a favor do município. Quase sempre a linha de maior beneficio, infelizmente, é do governo federal ou estadual”.
O economista Hélio Braga acredita que a riqueza da cidade, aparentemente, não reflete a sua realidade. Um dos motivos, segundo ele, é o grau de informalidade das empresas. Isto porque quando a empresa não registra seus rendimentos, os valores não são considerados pelo PIB. “É bem provável que exista informalidade considerável. Em função disso, a magnitude do PIB acaba sendo prejudicada. Não sabemos o tamanho dessa informalidade, mas ela pode prejudicar”.
Outro fator apontado pelo economista é a extinção de grandes fábricas na cidade. “Na indústria devemos ter hoje, no máximo, três plantas de grande porte. O que predomina é a micro e pequena e o porte dos estabelecimentos também tem a ver (com economia baixa)”.
MAGAZINE LUIZA
A transferência do escritório central do Magazine Luiza - até então a maior empresa da cidade - de Franca para a capital paulista, não preocupa os especialistas da área. “Pode ocorrer alguma queda, mas eu tenho certeza que dado o caráter afetivo da empresa com Franca, ela fará tudo possível para direcionar para a cidade fatia substancial de suas arrecadações”, disse Ananias. “Acredito que é mais um processo de ajuste estrutural do grupo, que não deve interferir na economia”, opinou Hélio.