08 de julho de 2026

Paradoxo das drogas


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Segundo o dicionário, “barão” significa ‘título nobiliárquico imediatamente inferior a visconde. Homem ilustre pelos seus feitos. Varão”. No histórico da economia brasileira existiram vários barões. Os do café, a exemplo. Isso até se transformou em ‘moda de viola’ e título de novela, onde o grande pecuarista era intitulado ‘o rei do gado’.

Nos bons tempos em que as atividades lícitas moviam a economia do País, o crime era ‘romântico’, as leis eram respeitadas e havia ordem. Não eram assassinados anualmente, 50 mil pessoas no Brasil, nada menos que que uma Guerra do Iraque ao ano. Não se trata de opinião, são dados da ONU.

O País ficou catatônico em face da guerra do tráfico no Rio de Janeiro. A tragédia social existente em função das drogas, não tem precedentes no território brasileiro. Os barões do tráfico, diga-se de passagem, nunca aparecem. Há gente graúda envolvida nisso tudo. Há uma década, quando Fernandinho Beira-Mar foi preso na Colômbia, descreveu em detalhes como importava armas do Líbano e trocava por cocaína na Colômbia: negociava com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e a moeda de troca era a droga. Na ocasião a Polícia Federal concluiu: ‘a guerrilha tem o controle das drogas’. Como as armas eram liberadas nos portos? Como entravam e saiam do País? Seria por ‘meios lícitos’?

Em 1991, o líder do Comando Vermelho, Willian da Silva Lima publicou um livro denominado Quatrocentos contra um, pela editora Labortexto, com lançamento na sede da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. Nesse livro há um trechinho fenomenal que compensa ser transcrito aqui: ‘Conseguimos aquilo que a guerrilha não conseguiu: o apoio da população carente. Vou aos morros e vejo crianças com disposição, fumando e vendendo baseado. Futuramente, elas serão três milhões de adolescentes que matarão vocês nas esquinas’. Isso é que é planejamento estratégico!

Esse sujeito é um brincalhão, não? Ele não poderia estar falando sério. Quem está morrendo física e moralmente? Não é grande parte da classe média, a classe opressora, burguesa, no dizer deles? Bem, se houvesse algum interesse em acabar com essa bandalheira trágica, um dos caminhos poderia ser o da criminalização do uso de drogas.

Ora, o leitor deve estar deduzindo que a articulista enlouqueceu; mas não. É só raciocinar. Se é proibido vender tomates mas é permitido comer tomates, isso não tem a mais mínima lógica.

Se a ciência pesquisou e concluiu que “consumir... tomates” provoca a idiotização, a dependência física e química, a destruição da saúde, a morte, a loucura, a prática de crimes – e aqui caberia perguntar para aquelas pessoas que tiveram seus entes queridos friamente assassinados por bandidos sem nenhuma piedade, na frente da mulher e dos filhos, como recentemente aconteceu aqui em Franca, no Jardim Vera Cruz – e que certamente há drogas envolvidas nesse enredo demoníaco, além das mães que presenciam a morte lenta de seus filhos, a morte física, e a pior das mortes, a morte moral, o uso de drogas deveria ser permitido?

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora