08 de julho de 2026

A droga no Interior


| Tempo de leitura: 3 min

O jornal Tribuna Impressa, de Araraquara, publicou recentemente um quadro preocupante sobre o avanço do crack na cidade, com detalhes sobre o consumo e as suas implicações sociais.

O sociólogo José dos Reis Santos Filho, do Núcleo de Estudos de Violência da Unesp, disse a cidade não está preparada para enfrentar a nova realidade. “Posso estar enganado e tomara que esteja: Araraquara não está preparada para enfrentar esse problema”, enfatiza, citando a necessidade de um atendimento psíquico, médico e de perspectiva. “Talvez ainda estejamos distantes da situação vivida pela Cracolândia, na Capital, mas essa distância pode ser rapidamente percorrida”.

O centro de Araraquara, a exemplo do que ocorre em muitos pontos das cidades médias do Interior Paulista, está sendo aos poucos invadido pelo tráfico de drogas. “Tem muita gente usando crack em Araraquara?”, pergunta o repórter: “Olha, vou falar a verdade pra você: tá uma epidemia”. A frase não é de nenhum policial, estudioso ou especialista envolvido com programas sociais de drogadição. É a informação de uma usuária de crack que perambula pelas ruas centrais da cidade.

Os dependentes de crack já correspondem a 85% das internações nas comunidades terapêuticas da cidade, segundo mapeamento que está sendo feito pelo Conselho Municipal Antidrogas (Comad). Márcio William Servino, presidente da entidade, afirma que os dados são alarmantes. “Existe uma epidemia relacionada ao consumo do crack na região”, garante. Muitos dos usuários têm a dependência cruzada com maconha e cocaína e drogas lícitas, como álcool.

No Interior
O fato é destacado aqui neste espaço porque não diz respeito unicamente a Araraquara. Em proporção menor ou maior, pode ser extrapolado à realidade da maioria das cidades médias do Estado, tais como São José dos Campos, Jundiaí, Americana, Piracicaba, Limeira, Franca, S. José do Rio Preto, Sorocaba, Araçatuba, Presidente Prudente e Bauru, bem como na Região Metropolitana de São Paulo, como Mogi das Cruzes e as cidades do ABCD.

Jovens
O Comércio da Franca publicou domingo que o número de jovens apreendidos em flagrante por tráfico de entorpecentes em Franca aumentou 50% este ano na comparação com todo o ano passado. Nos 12 meses de 2009 foram 30 menores flagrados com drogas e apreendidos na Fundação Casa (antiga Febem), contra 45 até novembro deste ano. “As quadrilhas tem aliciado mais os adolescentes, tendo em vista que quando o menor é detido, fica menos tempo recolhido. Enquanto os maiores de idade podem ficar na cadeia de 5 a 15 anos, os menores ficam apreendidos de seis meses a três anos”, afirma o delegado Pedro Luís Dalaqua, da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes).

Polícia age
Tudo isso tem gerado mais trabalho à polícia. Diariamente, há notícias de apreensões e prisões no Interior Paulista. Em Hortolândia e Campinas, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) apreendeu grande quantidade de armas de uso restrito, carregadores com munições e coletes à prova de balas, além de veículos, nas cidades de Hortolândia e Campinas. Segundo O Liberal, de Americana, a Polícia Civil acredita que o material, que inclui dois fuzis AR-15, de fabricação americana, e uma pistola calibre nove milímetros Jericó, de fabricação israelense, além de três pistolas semiautomáticas, seria utilizado em grandes ações.

Breves
• Araraquara vai instituir um Dia de Combate ao Bullying para atividades na rede municipal de ensino. O tema preocupa cada vez mais pais e professores.

• Fiscais da Prefeitura de Votorantim receberão adicional de produtividade segundo o número de multas aplicadas. A medida é, no mínimo, polêmica.

• Em Rio Preto, o helicóptero Águia, da Polícia Militar, fará sobrevôos noturnos, neste mês de dezembro. Afinal, o bandidos não dormem.

• O mercado imobiliário seguirá em expansão por até 15 anos por conta do aumento da população e da renda dos brasileiros, afirmou em Bauru dirigente do Secovi.

• As ligações ao 193 (Bombeiros) feitas por moradores de Mogi das Cruzes e cidades da região serão atendidas no Centro de Operações que funciona na Praça da Sé, na Capital.

Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br