08 de julho de 2026

E agora, torcedor?


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O time do seu coração não foi campeão. Você chorou e se desesperou por causa disso. No entanto, o pior mesmo ainda está pela frente, porque o campeonato acabou. De hoje até meados de janeiro, você, torcedor, não terá jogo oficial de futebol envolvendo clubes paulistas para assistir nas noites de quarta-feira ou nas tardes de domingo. Somente algumas partidas decisivas entre agremiações brasileiras e internacionais serão mostradas pela TV.

Mais que perder o campeonato, o que o incomoda mesmo, de verdade, é o fato de ter que ficar agora por quase dois meses sem assistir aos jogos preferidos pela televisão. Duro golpe para você, torcedor, que zomba dos outros, que nem nome tem, como apregoa o conhecido poema José de Carlos Drummond de Andrade.

Nesse último Campeonato Brasileiro de Futebol, zombaria maior foi você virar um sofrido e atrapalhado torcedor. Não lhe pesou nada a desonra de ver o seu time não poder mais conquistar o título do Brasileirão ou até mesmo garantir uma vaga para a Taça Libertadores, porque compensou a amargura torcendo pelo clube adversário. O desespero quase o levava à loucura quando sua própria equipe marcava um gol. Console-se agora, torcedor. Futebol tem dessas coisas. Um jogo ou um campeonato aproxima-se muito da vida. Nela, não há previsibilidade para nada. Quando você imagina que tudo está na mão, a vitória foge por entre os dedos. Noutras ocasiões, o impossível torna-se possível. Receba mais este conforto dos versos de Drummond: ‘Perder é tocar alguma coisa/ Mais além da vitória/ É encontrar-se naquele ponto/ Onde começa tudo/ A nascer do perdido/ Muito lentamente’.

Mire-se no torcedor do Planalto Central, não aquele do palácio governamental (esse torce de acordo com a conveniência), mas aquele do Goiás, estado mais centralizado do País. O esmeraldino goiano vive ao mesmo tempo o desterro e a glória. Viu seu time cair para a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol, mas podendo ainda amanhã conquistar uma vaga para a Libertadores de 2011.

Nem assim, houve redenção. Lá, como cá, o torcedor do Goiás também queria que o Vitória da Bahia ganhasse do Atlético Goianiense no último domingo. Mesmo que o estado da região Centro-Oeste ficasse sem nenhum representante no cenário maior do futebol brasileiro, a satisfação maior estaria na queda do rival.

Deixando o futebol de lado, e o torcedor do basquete de Franca? Este é duro, só gosta de ganhar, mas está agora sem discurso. Para complicar mais ainda, hoje mesmo quase tudo pode fugir na noite quente de Bauru. Depois de o riso não ter vindo do certame sul-americano, restam o nacional e o estadual. Porém uma derrota em casa na semana passada fez o horizonte escurecer novamente para o quinteto francano. Agora, se não ganhar a primeira partida fora, a segunda tem tudo para mofar a sensibilidade da galera.

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br