Durante toda a história do mundo, um dos principais ingredientes das guerras e massacres - que pontuaram todo o tempo, chegando até os nossos dias - foi a intolerância, seja ela religiosa ou racial. Combates sangrentos tiveram como elemento motivador essa atitude agressiva ou repressora para com as diferenças de outrem relativamente à etnia, à crença, à opinião e ao modo de vida (como bem define o dicionário Aulete Digital), entre vários outros. Mais recentemente, surge a intolerância quanto ao gênero, causando a homofobia que se alastra pelo mundo. Na maioria das vezes, os agressores, numa demonstração de extrema covardia e nenhuma compaixão, atacam em bando, sem permitir a defesa de suas vítimas. O ataque de cinco jovens de classe média na avenida Paulista, em São Paulo, no dia 14 de novembro - com pelo menos três vítimas em pontos diferentes da via -, causou indignação não apenas pela violência e pelo viés homofóbico da ação.
Algumas das vítimas deixaram claro (o que foi ressaltado pelas imagens de câmeras de vigilância instaladas em prédios da Paulista) que as agressões aconteceram porque alguns se pareciam com gays. A gravidade da situação foi determinante para que um dos advogados que defendiam os adolescentes (apenas um maior de idade integrava o grupo) abandonasse a causa após a divulgação das imagens, onde se vê apenas uma agressão imotivada, bárbara e covarde. E este é apenas um caso. A intolerância continua fazendo vítimas não apenas no Brasil, mas também no mundo todo. A cor da pele, o sotaque e a orientação sexual provocam uma violência exacerbada e sem nenhuma justificativa. É bom que deixemos claro: nenhum ato violento pode ser justificado.
A intolerância foi responsável por verdadeiras carnificinas: no século passado, em menos de cinco anos (de 1941 a 1945), o nazismo causou o extermínio de cerca de 6 milhões de judeus. A crença na supremacia ariana e de que os demais cidadãos seriam impuros foi responsável por uma das mais mortais e sangrentas guerras que contrapôs nações e causou a morte de mais centenas de milhares nos campos de batalha. Infelizmente, a história é pródiga em apresentar episódios onde racismo e intolerância se uniram para fazer vítimas. Desde as perseguições aos hebreus milhares de anos antes da História moderna até os ataques aos nordestinos, negros e homossexuais no Brasil nos dias de hoje, deve-se ponderar sobre as causas e efeitos desta forma de agir.
Embora algumas nações e grupos organizados tentem demonstrar o contrário, não há ninguém melhor do que o seu semelhante. A partir do momento em que esta situação se tornar voz corrente - e não exceções, como atualmente -, o planeta estará caminhando rumo ao desenvolvimento comum. Do contrário, logo estaremos vendo o preconceito tornar vítima qualquer indivíduo que não se enquadre ao chamado ‘padrão’. Primeiro, o ser humano tem que aprender: não existe um padrão. Cada indivíduo (e o substantivo já deixa claro) tem sua própria personalidade e não existem melhores e maiores. Só o ser humano que ainda não aprendeu a respeitar as diferenças e enxergar um igual no seu semelhante.